O setor de Participação Cidadã, em parceria com a Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), promoveu na última quarta-feira, 25 de fevereiro, uma roda de conversa com haitianos e órgãos públicos. A iniciativa visou proporcionar que as dezenas de imigrantes, que foram contratados pela empresa terceirizada de higienização Plansul, recebessem assistência dos órgãos responsáveis em função do término do contrato trabalhista – que finda no mês de março. A partir de 2015, a contratação de auxiliares de higienização no Grupo ocorre somente por meio de concurso público. Como essa modalidade de ingresso é restrita aos brasileiros, e, portanto, os haitianos não podem prestar concurso público no Brasil, o GHC mediou esse encontro para que fossem esclarecidas dúvidas quanto a benefícios, cidadania, cursos profissionalizantes, acesso à saúde, recolocação no mercado de trabalho e outros direitos.
O evento, aberto à comunidade, contou com mais de cem pessoas, entre funcionários, ex-funcionários e familiares. A coordenadora de Projetos Institucionais da Defensoria Pública da União, Laura Zacher, orientou o público em relação aos acessos aos serviços disponíveis do governo, como a assistência jurídica gratuita, e esclareceu dúvidas sobre onde buscar informações referentes a vagas de emprego. “Considero esse contato entre os órgãos públicos e os haitianos muito importante, pois as regras e as legislações dos dois países são muito diferentes. A ideia é que a defensoria possa ser uma referência para eles”, declarou Laura.
A procuradora do Ministério Público do Trabalho Patrícia de Mello Sanfelice explicou que os trabalhadores brasileiros e estrangeiros têm a mesma igualdade de direitos, inclusive em relação a salário e benefícios. A assessora da Diretoria do GHC Elisabeth Wartchow lembrou sobre os acordos de governo firmados entre Brasil, Cuba e Haiti que prevêem ações em saúde, como a construção de unidades de saúde, a aquisição de ambulâncias e a formação de agentes comunitários.
Jean LeFrantz Jean, veio de Croix des Bouquets, no Haiti, para o Brasil com o irmão há 3 anos e 8 meses. Contratado pela Plansul para trabalhar no Hospital Conceição desde novembro do ano passado acredita que a roda de conversa é uma ação positiva, pois quer saber como vai ficar a situação após o desligamento da empresa. O haitiano Jhorany Genesté, assim como Jean LeFrantz, também falou durante o evento. De acordo com os jovens, a principal preocupação deles e dos colegas é em relação à falta de emprego.
A representante da Secretaria Municipal de Trabalho e Empregabilidade Veridiana de Oliveira da Costa lembrou que, se, por um lado, o idioma pode ser um dificultador, por outro, pode ser um diferencial. Com base nisso, Veridiana comunicou que o Sistema Nacional de Emprego (Sine) irá realizar em março a abertura de inscrições para diversos cursos, principalmente na área de hotelaria, pois muitos haitianos falam mais de um idioma.
O coordenador do setor de Participação Cidadã, Elpídio Souza, falou sobre o compromisso social de se pensar sobre a imigração haitiana no Brasil e do quão importante é encontrar uma solução conjuntamente entre os entes federativos.
Também estiveram presentes no evento a coordenadora da Ceppir-GHC, Ludmila Marques, a representante da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos Cíntia Bonder, a representante da Secretaria Adjunta do Povo Negro Elisete Moretto, a representante da Secretaria Adjunta dos Indígenas e Direitos Específicos e do Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas do Tráfico de Pessoas (Comirat) Beatriz da Costa, a representante da Frente Parlamentar contra o Racismo, a Homofobia e Outras Formas de Discriminação Ivonete Carvalho, a presidenta do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra no Rio Grande do Sul (Codene), Elis Regina Gomes de Vargas, e o representante do Grupo de Assessoria a Imigrantes e Refugiados (Gaire) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marcelo Copetti Endres.
Todos os órgãos participantes se colocaram à disposição dos imigrantes haitianos para a solução de qualquer eventualidade que ocorra durante sua permanência no Brasil.
A roda de conversa ocorreu às 17h no auditório do Hospital Cristo Redentor.
Créditos: Mariana Ribeiro