Expectativa, emoção e alegria. Antonio e Luciana protagonizaram o primeiro casamento realizado no Hospital Conceição, na manhã desta quinta-feira, 12 de março. A história de Antonio Carlos Serpa chamou a atenção dos funcionários do Programa de Atenção Domiciliar do Grupo Hospitalar Conceição (PAD/GHC), pelo qual ele recebe atendimento há aproximadamente um ano. Ex-tabagista, analfabeto, Antonio, que tem 47 anos, desenvolveu um câncer de laringe. Periodicamente, precisa fazer consultas e sessões de quimioterapia no hospital. O caso, grave, requer tratamento para aliviar a dor e os sintomas. Em função do tumor, causado pela doença, o papeleiro teve de ser submetido a uma traqueostomia e a uma gastrostomia. Mesmo usando altas doses de morfina, enfrentando muita dificuldade para externar a voz e se alimentando somente por sonda gástrica, Antonio pediu a companheira em casamento. Luciana Alves dos Santos tem 37 anos. Unidos há 13 anos, juntos, o casal tem quatro filhos: Vitória, 12 anos; Kauan, 7 anos; Felipe, 5 anos; e Raquel, 2 anos.
A Assessoria de Comunicação Social do GHC acompanhou uma das visitas do PAD à casa da família dois dias antes da cerimônia. No chalé simples, num beco da Vila Safira, no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre, três cachorros completam o humilde lar. Semanalmente, Antonio recebe a equipe de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que fazem avaliação clínica, ajustes de analgesia e fornecem a dieta para a sonda, além de passar orientações gerais para evitar infecção, já que o câncer está em estágio bastante avançado. Como toda noiva na véspera da cerimônia, a ansiedade tomou conta de Luciana. “Eu tô num estado de nervos!”, disse a dona de casa durante a visita, enquanto amamentava a filha mais nova. E, olhando para o companheiro, completou: “A gente já tem muita história juntos, né, amor?”.
A iniciativa partiu do médico de família e comunidade Sati Jaber Mahmud, que cuida do caso de Antonio desde a primeira internação. Em função da gravidade da doença e dos poucos recursos de que a família dispõe, o médico sugeriu a declaração de união estável como forma de garantia de um futuro melhor para Luciana e os filhos. Mais de uma década depois, Antonio então resolveu mostrar que o amor não tem hora para ser demonstrado. “A gente sempre quis casar, é um sonho, mas nunca deu, porque não temos dinheiro.”, explicou o casal.
Mobilizada com a situação, há três meses atrás, a equipe do PAD se organizou e providenciou documentação, vestido de noiva, buquê, roupas para as crianças, alianças, bolo, salão de beleza e balões. A união foi oficializada por uma tabeliã e contou com a presença de familiares do casal e de dois pastores evangélicos. Também participaram da celebração os funcionários do PAD e o gerente de Pacientes Externos do Hospital Conceição, José Fossari.
“Casamento mesmo é a convivência, mas hoje foi um sonho realizado. Estou muito feliz, não tenho palavras para agradecer a todos que nos ajudaram”, contou, emocionada, Luciana, após a assinatura do documento. Sati e a enfermeira Diani de Oliveira Machado foram os padrinhos do matrimônio.
A cerimônia ainda teve brinde, champanhe sem álcool, refrigerante e bolo. A noiva também jogou o buquê e posou para fotos com o marido e os convidados. O dia atípico para a família e para a rotina do PAD terminou com a sensação de dever cumprido para todos os envolvidos.
Créditos: Mariana Ribeiro