A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Governo Federal, realizou nesta quarta-feira, 25 de março, em Porto Alegre, a primeira certificação do Selo Quilombos do Brasil a alimentos produzidos por comunidades quilombolas. No evento, que contou com a participação de comunidades quilombolas de oito municípios do Rio Grande do Sul, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) também realizou o lançamento da Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos de produtos alimentícios dessas comunidades. A iniciativa torna o GHC a primeira instituição do país a comprar os alimentos certificados com o Selo Quilombos do Brasil, produzidos por comunidades quilombolas no Rio Grande do Sul.
O representante do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) Gustavo Assis lembrou que o Grupo Conceição é um dos maiores parceiros do MDS. “Esta iniciativa induzirá o desenvolvimento local dessas comunidades. Alimento é fonte de saúde”, disse o representante. A analista técnica de Políticas Sociais do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) Luana Paré de Oliveira considerou a ação muito satisfatória. “É o primeiro passo de uma série de ações que empoderam as comunidades quilombolas do Estado”, disse ela. O coordenador de Políticas para Comunidades Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Quêner Chaves dos Santos, destacou que a adesão do GHC ao Selo é um marco importante e uma característica exclusiva. “Proporciona uma nova imagem para essas populações, demarcando que são agricultores familiares e que também produzem e contribuem para o povo brasileiro”, considerou o coordenador.
O GHC foi também a instituição de saúde pioneira do Brasil a aderir ao Programa de Aquisição de Alimentos, por meio da modalidade Compra Institucional, uma iniciativa conjunta dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e de Desenvolvimento Agrário. Além de servir alimentos aos trabalhadores e aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de melhor qualidade, produzidos pela agricultura familiar, a medida vem gerando uma economia de 10% a 15% para o GHC e contribui para a formação de uma rede produtiva e de inclusão social com atuação no campo e na cidade, ampliando e potencializando a produção agrícola no Estado e no país. A experiência do GHC tem servido de modelo para outros órgãos governamentais.
Agora, além de produtos da agricultura familiar, o GHC vai servir em seus refeitórios alimentos produzidos pelas comunidades quilombolas. Em média, a instituição fornece mais de 270 mil refeições por mês para funcionários, pacientes e seus acompanhantes, sendo consumidas mensalmente cerca de 217 toneladas de alimentos, sendo 76 toneladas de hortigranjeiros.
Para o coordenador da Federação das Comunidades Quilombolas do Rio Grande do Sul, Antonio Leonel Rodrigues Soares, o Selo soma muito à população de quilombos agrícolas. “Antes a gente produzia e não tinha para quem vender. Agora temos mercado”, explicou ele, que faz parte da comunidade Vó Elvira, em Pelotas.
O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Francisco Lemos, parabenizou o GHC e as comunidades certificadas. “Dentro do Incra, o Selo tem todo respaldo. Temos que fomentar a questão do alimento de qualidade”, ressaltou. O diretor administrativo e financeiro do GHC, Gilberto Barichello, presente no evento, destacou que a aquisição de alimentos da agricultura familiar produz sustentabilidade e inclusão social. “Não é só vender o alimento, é vender saúde. A economia solidária e cooperativa cria uma rede de trabalho e viabiliza qualidade de vida”, disse o diretor.
O diretor-superintendente do GHC, Carlos Eduardo Nery Paes, também presente no evento, considerou que aderir ao Selo faz parte de um conjunto de ações de origem histórica. “É um desafio que o GHC tem nas suas prioridades e que visa saldar a dívida de alguns séculos. No Rio Grande do Sul, temos 1.447 famílias quilombolas, e essas iniciativas são essenciais para o fim da miséria e o aumento das conquistas sociais, como a igualdade e a inclusão”, concluiu o superintendente.
O evento ocorreu às 16h, no auditório do Instituto da Criança com Diabetes e teve ainda duas palestras: “A importância do mercado institucional na produção do etnodesenvolvimento das comunidades quilombolas do RS”, com o técnico em educação da Gestão do Trabalho, Educação e Desenvolvimento Elisandro Rodrigues, e “Participação social e qualificação das políticas públicas”, com o coordenador do setor de Participação Cidadã, Elpídio de Souza.
Créditos: Mariana Ribeiro (Texto). Bruna Goulart (Fotos).