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13.05.2015 INCLUSÃO

GHC assina contrato com comunidades quilombolas para compra de alimentos

Ato torna a instituição a primeira no país a fazer aquisição dessas populações
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Parceria do GHC com MDA e MDS vem fortalecendo políticas de inclusão.
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Alvina Justina da Cruz Marques, da Comunidade Quilombola Quitéria, assina o contrato.
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Deni Borba Soares, do Grupo Remanescente de Quilombo, de Potreiro Grande, na assinatura.
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Antônio Leonel Rodrigues Soares faz um relato da situação das comunidades.
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Representantes de comunidades quilombolas prestigiaram o ato.

Dona Alvina e Seu Deni estavam ansiosos. Encontravam-se a poucos momentos de assinar o primeiro contrato de venda de produtos alimentícios por eles produzidos. “É uma porta que vai se abrir, é a primeira vez que estamos vendendo”, comemorou Dona Alvina Justina da Cruz Marques, da Comunidade Quilombola Quitéria, na localidade de Casca, em Mostardas. Para ela, agora que terão uma renda com a venda dos produtos, há a perspectiva de melhorar a situação das cerca de cem famílias que vivem no local. Seu Deni Borba Soares também conta que antes plantavam e não tinham para quem vender. “Poder vender para o hospital é muito importante para nós”, avaliou ele, que pertence ao Grupo Remanescente de Quilombo, de Potreiro Grande, em Canguçu. No local, 37 famílias produzem feijão, milho, batata doce, pepino, cebola, abóbora e outros.

Essas duas comunidades quilombolas foram selecionadas pela chamada pública para compra de gêneros alimentícios pelo Grupo Hospitalar Conceição. A assinatura do contrato ocorreu na manhã desta quarta-feira, 13 de maio, na diretoria da instituição, que ficou lotada por representantes de outras comunidades quilombolas para prestigiar o ato. Também estiveram presentes os diretores do GHC, Sandra Fagundes, José Fossari e Gilberto Barichello, o representante do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) André Grossi, o coordenador de Políticas para Comunidades Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Quener Chaves dos Santos, o delegado federal do MDA no Rio Grande do Sul, Marcos Regelin, além de representantes da Participação Cidadã, da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir) e da Gerência de Materiais do GHC.

O coordenador da Região Sul da Federação Quilombola, Antônio Leonel Rodrigues Soares, realizou, no início da solenidade, uma apresentação da situação das comunidades e destacou a assinatura como um momento especial. “Já vínhamos pensando há tempo sobre a possibilidade de comercialização dos produtos. Esse é um começo, e estamos plantando motivados a esse mercado. Vai ajudar a gente a se unir”, disse. Já André Grossi, do MDS, lembrou que os produtos com selo Quilombola são caracterizados pela agricultura sustentável e por serem mais saudáveis, contribuindo para reduzir a pobreza e a insegurança alimentar. Quener Chaves dos Santos, do MDA, afirmou que a assinatura do contrato entre o GHC e essas comunidades é um exemplo nacional de política de inclusão social.

Celebrando também o ato, o diretor administrativo e financeiro do GHC, Gilberto Barichello, avaliou como uma resistência à cultura da morte - como ele considera as grandes monoculturas, o uso intensivo de agrotóxicos e o plantio de sementes modificadas. “Este ato representa o resgate da cidadania e a valorização da cultura da vida. Mais uma vez o GHC quebra paradigmas, como foi a criação da economia solidária, na qual presidiárias produzem o enxoval dos hospitais do Grupo, e a criação da Ceppir”. O diretor técnico do GHC, José Fossari, se disse sensibilizado com “o trabalho de pessoas que lutam no dia a dia, produzindo alimentos sadios”. A condição dos alimentos também foi salientada pela diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes. Para ela, a busca de coerência deve ser perseguida para viabilizar o política de equidade, resultando na materialização da inclusão, que neste caso está ligada à alimentos saudáveis, à segurança alimentar e à saúde. “Estamos contribuindo para a construção de uma cultura de segurança alimentar”, concluiu ela.

Além de protagonizar a primeira compra institucional de comunidades quilombolas, o GHC também participou do lançamento do Selo Quilombos do Brasil, que certifica a origem dos produtos dessa população. Essas ações foram realizadas em parceria com o MDA e o MDS dentro do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por meio do qual o GHC também adquire produtos da agricultura familiar.

Créditos: Andréa Araujo