O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), por meio dos setores de Gerência de Materiais, Participação Cidadã e Gestão do Trabalho, Educação e Desenvolvimento, promoveu, nesta quinta-feira, 18 de junho, o Encontro Preparatório para a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Com o tema “Os desafios da compra institucional da agricultura familiar”, a ideia do encontro é levantar e discutir questões ligadas à segurança alimentar e ao impacto social no sustento e crescimento da produção das famílias de pequenos agricultores.
O GHC foi a primeira instituição de saúde do Brasil a aderir ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), pela modalidade “compra institucional”, uma iniciativa conjunta dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e de Desenvolvimento Agrário (MDA). Desde o início de 2015, o GHC proporciona a negociação dos gêneros alimentícios utilizados na nutrição hospitalar com a agricultura familiar. Mais recentemente, em maio deste ano, as comunidades quilombolas foram priorizadas dentro da agricultura familiar, levando o GHC a ser pioneiro também na compra de alimentos certificados com o Selo Quilombos do Brasil, produzidos pelas comunidades quilombolas no Rio Grande do Sul.
A Segurança Alimentar e Nutricional, além de ser uma questão de saúde, é um tema que vem permitindo ao GHC um trabalho social importante. Ao decidir pela compra institucional de produtos da agricultura familiar e de comunidades quilombolas, o objetivo da instituição é fornecer um alimento mais saudável para os trabalhadores e usuários das unidades dos hospitais e contribuir para o fortalecimento da produção dos pequenos agricultores e quilombolas.
O coordenador da Região Sul da Federação Quilombola, Antonio Leonel Rodrigues Soares, destacou que a experiência de compra do GHC com as comunidades quilombolas pode ser um exemplo para o Brasil. O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) Quener Santos também ressaltou que o hospital tem desenvolvido papel importante na agricultura familiar e se sobressaído em nível nacional. “O GHC não apenas compra, mas também se preocupa com os agricultores que fornecem o alimento”, afirmou Santos.
A representante da Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário do Rio Grande do Sul (MDA/RS) Tania Rânsel elogiou o desafio da instituição em trabalhar com esse público. “É importante vencer os obstáculos e estimular o prover do próprio sustento e a independência financeira do pequeno agricultor. Além disso, o GHC é referencial no Estado e dialoga com outras instituições”, considerou Tania.
O diretor técnico do GHC, José Fossari, também presente no evento, destacou que além da qualidade do alimento, a compra direta da agricultura familiar resulta numa economia de 10 a 15% para o Grupo Conceição. Por mês, são oferecidas 270 mil toneladas de alimentos nos quatro hospitais do Grupo, e boa parte destes é produzida nas comunidades quilombolas. “Temos que analisar o contexto todo de saúde e isso inclui o alimento oferecido ao paciente, não só o atendimento prestado. O GHC está de braços abertos para que possamos nos empenhar cada vez mais em adquirir produtos desses agricultores”, concluiu o diretor.
A professora de Nutrição da Escola Mesquita, instituição de ensino parceira do Grupo Hospitalar Conceição, Vera Maria Rocha Barone levou uma turma de alunos do curso de Atendente de Nutrição para participar dos debates. “É uma experiência nova para eles que estão entrando em contato com o valor dos alimentos e a problemática da alimentação na sociedade. Trazer eles no evento é interessante para criar uma conscientização a respeito do tema”, relatou a professora.
Para a aluna do curso Luciana Garcia Silveira, a iniciativa é muito produtiva. “Tenho interesse em trabalhar na área hospitalar e estar dentro do debate é muito legal porque ficamos sabendo de outros pontos de vista”, contou.
As conferências estadual e nacional de Segurança Alimentar e Nutricional ocorrem de 19 a 21 de agosto em Porto Alegre, e de 3 a 6 de novembro em Brasília.
Compras PAA
Hortigranjeiros: 74,2 toneladas por mês
Queijos - 2,3 toneladas por mês
Leite - 122 mil litros por mês
Iogurtes - 1,4 mil litros por mês
Grãos - 8,6 toneladas por mês
Hortigranjeiros minimamente processados: 25,5 toneladas por mês
Créditos: Mariana Ribeiro