“Qual ciência funda as nossas práticas?”. Com essa provocação, o coordenador da Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde (MS), Roberto Tykanori, se dirigiu a quase duzentos residentes e funcionários do GHC na manhã desta quinta-feira, 25 de junho, no Hospital cristo Redentor (HCR). A atividade “A Saúde Mental no SUS - o contexto atual” foi realizada com o objetivo de aproximar os profissionais que promovem o cuidado em Saúde Mental no dia a dia dos temas que a política nacional do MS propõe na atualidade.
Além da palestra do representante do ministério, o seminário contou com a participação da diretora-superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, Sandra Fagundes, e da coordenadora da Área Técnica de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, Loiva Leite.
O grupo musical Tocante, formado por usuários e trabalhadores do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III do GHC, iniciou os trabalhos do evento com muita música, em apresentação ao vivo.
GHC na Rede de Atenção Psicossocial
Na solenidade de abertura, Sandra Fagundes destacou que o GHC dispõe de muitos serviços que integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), citando o trabalho das equipes que atuam no consultório na rua, nos três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e no Hospital Conceição. “Estes serviços são um bom território de trabalho para o desenvolvimento da ética do cuidado, com estímulo ao protagonismo do usuário, que é marca do processo iniciado pela Reforma Psiquiátrica”, afirmou.
Ciência complexa para uma prática qualificada
Já Roberto Tykanori propôs uma discussão sobre ciência, voltando-se especialmente aos residentes presentes. “Nosso desafio é buscar mais ciência, mas não qualquer ciência. Precisamos de ciências complexas, que nos provoquem a pensar diferente. Minha intenção é provocá-los a querer mais, a buscar mais e, assim, a saber mais. Os pacientes merecem”, enfatizou o psiquiatra.
Instigando o debate sobre linguagem, consensos, produção de realidade e afeto, Tykanori defendeu que o que chamamos de louco não é aquele que está fora do real, e sim alguém que está deslocado do consenso sobre a realidade que a maior parte das pessoas vivencia. “As nossas práticas de cuidado não podem se limitar a um modelo trancado, precisamos libertar as vidas”, sentenciou.
A grande procura pelo evento levou o público a lotar o auditório do HCR. A organização disponibilizou transmissão simultânea das atividades em uma sala da biblioteca do hospital.
Créditos: Nanda Duarte