Grupo Hospitalar Conceição ancora
logo
instagram facebook twitter youtube uptodate linkedin
13.08.2015 TRATAMENTO

Técnica do Espelho para tratar alívio da “dor fantasma” já beneficiou mais de 200 pacientes do HCR

Profissionais da Terapia Ocupacional do hospital trabalham em conjunto com a equipe do Serviço de Microcirurgia
files/img.ptg.2.1.01.8215.jpg
Paciente passa pela técnica do espelho.
files/img.ptg.2.1.02.8215.jpg
Médico faz toque sensorial que estimula percepção do membro amputado.

As terapeutas ocupacionais Ana Paim e Andreine Ludwig, que atuam vinculadas ao Ambulatório de Reabilitação do Hospital Cristo Redentor (HCR), trabalham com a técnica do espelho para tratar pacientes que sofrem com dores e/ou desconfortos em membros amputados. A “dor fantasma”, como é chamada, atinge uma parte do corpo que foi removida.

A técnica consiste em trabalhar com ilusão: é ocultado o membro amputado e no espelho é vista a imagem do membro oposto existente, o que produz, no paciente, a sensação de possuir os dois membros saudáveis. A estratégia consiste em enganar o cérebro, na tentativa de ajudá-lo a reconstruir seu mapa referente ao corpo, para fazer com que a sensação incômoda diminua.

Desde o início da utilização da terapia, há cerca de sete anos, os resultados têm sido positivos. Mais de duzentos pacientes já se beneficiaram, relatando melhora em dores e desconfortos.

O paciente Moisés Fraga da Costa, 27 anos, sofreu um acidente com serra circular, enquanto trabalhava, e perdeu todos os dedos da mão direita, em dezembro de 2014. Após a amputação, passou a sofrer com dores e desconfortos fantasma. “Sentia como se minha mão estivesse sempre fechada, com os dedos um por cima do outro”, contou. Desde janeiro deste ano, quando iniciou a terapia com técnica do espelho, apresentou grande melhora. “Agora tenho a sensação de que abri a mão; libertei meus dedos”, disse emocionado.

As terapeutas lembram, também, que é um tratamento delicado. “Muitos pacientes se emocionam com a ilusão”, afirmou Ana, ao ressaltar que o tratamento requer preparo e delicadeza de quem o aplica.

Iniciativa profissional e trabalho integrado

O grande incentivador da técnica no HCR foi o Dr. Luiz Fernando Franciosi, que trouxe a ideia de congressos que participou e apresentou a iniciativa à terapeuta ocupacional Ana Paim, para que desenvolvessem mais estudos sobre o assunto. A partir disso, implantaram no setor o tratamento para membros superiores utilizando a técnica do espelho, desenvolvido pelas terapeutas Ana Paim e Andriene Ludwig, que são certificadas pela Sociedade Brasileira de Terapia da Mão.

As terapeutas também trabalham em conjunto com a equipe de microcirurgia, chefiada pelo médico Luiz Fernando Franciosi, na preparação e recuperação de pacientes que tiveram acidentes traumáticos e passam por cirurgia. Esta interação pré-operatória faz com que a readaptação do paciente operado seja mais rápida. Atuam ainda com o coordenador do Serviço de Cirurgia da Mão, Carlos Jungblut.

A “dor fantasma”

Essa dor é classificada como neuropática e, como todas deste tipo, de difícil de tratamento. Ela pode aparecer logo após a cirurgia de remoção do membro, bem como semanas ou meses depois. Na maioria dos casos, são ataques repetidos de dor, que são descritas pelos afetados como aguda, de caráter incisivo, penetrante, com ardor ou cãibra. Apesar de ainda não se ter certeza do porque esse fenômeno ocorre, pensa-se ser em função de processos de reorganização no cérebro e na medula.

Ambulatório

O Ambulatório de Reabilitação do HCR atende pacientes egressos do Grupo Hospitalar Conceição, sendo grandes, médios e pequenos incapacitados, que sofreram traumatismos cranioencefálicos, acidente vascular cerebral, queimaduras, membros amputados, entre outros. Atualmente, a equipe é formada por médicos fisiatras, fisioterapeutas, nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeutas ocupacionais e residentes de Fisiatria e Reumatologia.

Créditos: Débora Escobar