O 2º Congresso Internacional de Educação, Segurança, Saúde e Igualdade Racial, promovido pelo Grupo Face de Ébano, nos dias 5 e 6 de setembro, reuniu mais de 300 pessoas no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Durante as atividades, foram abordados assuntos pertinentes à temática racial. Integrantes da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Grupo Hospitalar Conceição (Ceppir-GHC) participaram do evento apresentando algumas ações realizadas na instituição.
O Congresso teve como objetivo proporcionar a troca de saberes e o fortalecimento da comunidade negra em relação aos principais temas da atualidade como saúde, educação, cultura, religiosidade, entre outros. A coordenadora da Ceppir-GHC, Ludmila Marques, participou do painel “Afrocentricidade, Patrimônio, Quilombismo e Territorialidade” apresentando a experiência do GHC como a primeira instituição pública a realizar a compra de produtos quilombolas para o consumo de usuários e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). “Além de termos acesso a uma alimentação mais saudável, estamos contribuindo com a autonomia econômica e a melhorias nas condições de vida dessas comunidades”, explicou Ludmila.
Durante o painel sobre a “Intolerância Religiosa”, o coordenador do Centro de Resultados Participação Cidadã, Elpídio de Souza, falou sobre o Fórum Inter-Religioso, formado por diversas denominações religiosas, que realiza ações em conjunto, garantindo o atendimento espiritual aos pacientes de forma integrada ao tratamento médico, respeitando sua fé.
A saúde da população negra foi apresentada pela graduanda em Ciências Sociais Vera Beatriz Cruz e pela psicóloga Silvia Ramão. As componentes da Ceppir-GHC falaram sobre as principais doenças da população negra agravadas por fatores socioeconômicos e sobre as consequências do racismo institucional para a saúde dos negros. “Os agravos se apresentam na forma de depressão, alcoolismo, baixa autoestima, entre outros fatores identificados em categorias da saúde mental”, explicou Silvia. “É necessário que se leve em consideração a amplitude do conceito de saúde como bem-estar social, garantindo a efetiva implementação de políticas que visem à melhoria na qualidade de vida da população negra”, enfatizou Vera Beatriz.
A Ceppir-GHC é referência nacional em ações de combate ao racismo. Os seminários, oficinas e atividades promovidos têm como objetivo capacitar os profissionais de saúde para que o atendimento prestado leve em consideração as especificidades da população negra.
Créditos: Renata Lopes