O Workshop Internacional “Avaliação de Políticas Públicas: Atenção Básica/Primária e Participação Social em Saúde - Experiências da cooperação Itália e Brasil”, reúne em Porto Alegre pesquisadores, docentes, gestores, servidores e estudantes nacionais e estrangeiros até o dia 23 de setembro. A abertura, realizada na noite de segunda-feira (21), contou com a participação da diretora-superintendente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Sandra Fagundes.
“Estamos buscando, no GHC, dar uma institucionalidade maior para as linhas de intercâmbio”, afirmou a superintendente. Ela defendeu a importância da constituição de espaços de diálogo e troca direta de experiências. “No trabalho de construção das redes, precisamos considerar as tecnologias, os serviços, os contratos, mas é a rede entre as pessoas o fator mais imprescindível”, ressaltou.
Como parte da programação preliminar do evento, os convidados italianos, integrantes do Laboratório Ítalo-Brasileiro de Formação e de Práticas em Saúde Coletiva, visitaram serviços do sistema municipal de saúde da capital gaúcha.
“Interessava particularmente os temas do workshop: atenção básica e participação. Então nós tivemos contato com os serviços que compõem a rede assistencial da gerência Glória / Cruzeiro / Cristal e com a Unidade Básica de Saúde Santa Anita, onde pudemos acompanhar mais detalhadamente a organização do trabalho em uma equipe de Saúde da Família. Depois fomos ao GHC, onde conseguimos mostrar para os nossos convidados italianos a articulação entre diferentes serviços com as políticas prioritárias do SUS”, explicou Antônio Alcindo Ferla, coordenador da Rede Governo Colaborativo em Saúde, que articula a cooperação entre a UFRGS e a Universidade de Bologna (Unibo - Itália).
De acordo com o médico e pesquisador da Unibo Ardigò Martino, o workshop já vem contribuindo para a identificação de estratégias aplicáveis no contexto italiano.
“Temos percebido a forma de produção do trabalho e do cuidado, além dos problemas de equipamento e situação de vulnerabilidade na área, e como, mesmo nessas situações, o trabalho em equipe e a capacidade de construir ferramentas adequadas possibilitam um cuidado de qualidade, pelo menos com os recursos possíveis. Isso é importante para nós porque a crise econômica parece ameaçar o sistema de saúde e, de certa forma, cria uma tensão no profissional, que se acha incapaz de produzir cuidado. Aqui descobrimos que podemos dizer: sempre haverá uma possibilidade de trabalhar”, concluiu Ardigò, que aproveitou a visita ao Conceição para estudar a integração entre atenção básica e os diferentes níveis de especialidade hospitalar.
Nesta terça-feira, o workshop debate a participação em saúde nos dois países e pesquisas avaliativas para a melhoria do acesso e da qualidade dos sistemas locais, contando com representantes de universidades federais brasileiras, do Ministério da Saúde e da gestão sanitária da região italiana da Emília-Romana.
Créditos: Rede Governo Colaborativo em Saúde, com edição da Ascom/GHC