Os oito anos de trabalho com doação de órgãos do coordenador das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) do GHC, Augusto Capelletti, produziram muitos momentos vivos em sua memória. Em um deles, a equipe da Cihdott do Hospital Conceição buscava pelo responsável de um doador que morava a quase 400 quilômetros de Porto Alegre, em Erechim. Acionando a polícia e o cartório do município, a equipe conseguiu a assinatura do responsável no documento que foi enviado para Porto Alegre a tempo de garantir a doação. Por meio do trabalho da Cihdott do GHC, Capelletti conseguiu ajudar a salvar vidas que nunca conheceu. Para isso, o trabalho não foi fácil. Ele e a equipe destas comissões são designados a conversar com as famílias sobre a possibilidade da doação. Encontrando o momento certo, trazendo explicações e com muita compreensão da dor do familiar, a equipe busca superar um índice de negativa familiar de 30% nas unidades do GHC. No Rio Grande do Sul, a negativa familiar chega a 44%, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde
Até 2007, o serviço era voluntário, calcado no espírito caritativo dos participantes. Até esta mudança, a falta de estrutura fazia a Cihdott perder muitas doações. A partir da profissionalização, a equipe passou a perder menos doadores em potencial. Desde então, os índices de doações do GHC se mantêm em alta, sendo o Hospital Conceição a instituição que mais capta doação de córneas e o Hospital Cristo Redentor a que mais capta doação de múltiplos órgãos no Estado. Por esta contribuição, a Cihdott recebeu na sexta-feira uma certificação do Governo do Estado, como hospital “Incentivador da Vida”.
Hoje, o GHC conta com uma Cihdott em cada hospital (Conceição, Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina). Em 2014, no GHC foram captados 100 córneas, 13 peles e 24 múltiplos órgãos, sendo cada coleta de múltiplos órgãos, em média de 7 órgãos.
Mesmo com os altos índices de captações de órgãos, ainda há um entrave comum nesse processo: a negativa familiar. Geralmente por questões envolvendo religiões ou traumas, 30% das famílias não aceita a doação. A decisão dos parentes do possível doador também é influenciada pela abordagem de toda a equipe de Saúde envolvida com o atendimento: “Aqui, desde o segurança ao médico, a quem fica na recepção, são responsáveis para motivar a família a aceitar a doação. Se alguém for grosseiro ou fizer um mau atendimento, a gente perde a doação nesse momento”, afirma Capelletti.
Para sensibilizar as pessoas para a importância da doação, é preciso preparar uma equipe qualificada nas entrevistas familiares. Sabendo disso, a Cihdott busca capacitar os profissionais da área no âmbito de dar a notícia triste aos familiares, buscando entender o momento certo de abordar e a forma como falar ao familiar. Como parte do aprendizado, as comissões elaboram encontros quinzenais para troca de ideias sobre os casos ocorridos: “Pelo nível de conhecimento, nossos membros chegam a dar palestras em outros lugares sobre o tema. Mas o aprendizado nunca para”, ressalta Cappelletti.
27 de setembro é o Dia Nacional da Doação de Órgãos. O GHC cumprimenta todos os profissionais envolvidos com o tema, especialmente aqueles que fazem das Cihdotts equipes imprescindíveis para o sucesso de um transplante. Parabéns!
Para saber mais sobre a certificação como instituição "Incentivadora da Vida", acesse o "clique aqui" abaixo.
http://www.ghc.com.br/noticia.aberta.asp?idRegistro=8344
Créditos: Giovanni Andrade