O desafio de ampliar a interlocução entre os profissionais da assistência, os usuários do SUS e os serviços de Ouvidoria para qualificar o cuidado e os processos que promovem uma assistência mais segura para os pacientes foi o tema provocador de um grande encontro em Porto Alegre. Cerca de 200 pessoas, que atuam nestas áreas em diversas regiões do Estado, se reuniram no seminário “Profissionais da Saúde, Ouvidoria e Usuário: Parceiros para uma Assistência Mais Segura”, promovido pelo Grupo Hospitalar Conceição em Parceria com o Ministério da Saúde (MS), nesta terça-feira, 29 de setembro, no Hotel Continental, em Porto Alegre.
A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, saudou os profissionais dos doze municípios gaúchos que aceitaram o convite para a discussão e lembrou da importância da interlocução com o controle social, especialmente no ano em que se realizam as conferências de saúde. “Além disto, executar um projeto de Ouvidoria a partir da visão do usuário é um desafio e um fruto do acúmulo da construção do SUS”, defendeu.
O diretor técnico do Grupo, José Fossari, celebrou a abordagem oportuna do tema. “Este seminário está em consonância com o nosso objetivo de oferecer aos usuários, além de uma assistência mais segura, também um atendimento mais humanizado e qualificado”, disse. A vice-coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, Mirta Zenker, destacou que a pauta está sendo trabalhada de forma permanente no conselho e que a Ouvidoria é um instrumento muito importante para o tema.
“É preciso ouvir os usuários, traduzir as suas manifestações e aproveitar o efeito multiplicador de boas práticas”, ressaltou a assessora técnica em segurança do paciente do Departamento de Atenção Hospitalar e Urgência (DAHU) do MS, Diana Oliveira.
Já a diretora do Departamento de Ouvidoria-Geral do SUS, Eliana Pinto, foi taxativa: “A Ouvidoria é um espaço de cidadania, de defesa de direitos”. Ela descreveu a vocação do instrumento como “a grande startup de inovação e conhecimento do setor público”.
Durante todo o dia, os profissionais da assistência puderam saber mais sobre o funcionamento e a importância dos instrumentos de ouvidoria, assim como os profissionais ligados a este serviço conheceram os protocolos de segurança trabalhados nos serviços hospitalares.
Protocolos e interfaces
A Portaria 529, de abril de 2013, do MS, que institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente, foi apresentada pela representante do DAHU, Diana Oliveira. Ela lembrou que diversos hospitais, como os que integram o GHC, já trabalhavam com protocolos de segurança do paciente muito antes disto. “O tema não é novidade, o que é novidade é o esforço para tornar sistêmicos os processos, protocolos e as interfaces”, explicou.
Um dos pontos centrais do programa diz respeito ao envolvimento do próprio paciente com a sua segurança, questão em que a interface com a Ouvidoria ganha força. “Em relação à segurança do paciente, o cidadão pode ser um agente propulsor, deve interagir para promoção de uma melhor gestão pública”, defendeu a ouvidora-geral do SUS, Eliana Pinto.
A expectativa das representantes do Ministério da Saúde é de que esta parceria permaneça após o evento, executada na prática, com o objetivo de desenvolver informações úteis para empoderar os usuários em relação a sua própria segurança.
Segurança e qualidade
Os representantes das Ouvidorias do GHC e do Hospital de Clínicas, Marilice Gonçalves e Marco Antonio Torres, e a equipe de Gerenciamento de Risco que atua nos quatro hospitais do GHC - Rosana Mirândola, Adriane Besckow, Christian Negeliskii, Nara Saraiva e Micheli Etges - apresentaram suas rotinas e os desafios colocados para o trabalho em conjunto.
A experiência do GHC com a implantação dos protocolos relacionados ao esforço de reduzir quedas, qualificar a identificação do paciente, garantir a higienização das mãos para o combate da infecção hospitalar, e estimular o uso das listas de verificação para a promoção de cirurgias seguras, entre outros temas, foi socializada com os profissionais de todo o Estado.
O protocolo em relação às quedas, inclusive, foi utilizado como exemplo pela diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, que defendeu a importância das instituições assumirem que existe o problema dos eventos adversos, olharem para o problema e se organizarem para modificá-lo. No GHC, em relação às quedas, este trabalho começa com a ampliação do estímulo à notificação das quedas para gerar informações que subsidiem ações. Entre as medidas que já implantadas no Conceição para prevenção das quedas estão: avaliação do paciente em relação ao risco de quedas, identificação do paciente que apresenta risco, prescrição de cuidados para a equipe que vai cuidar deste paciente, orientação para o próprio paciente e seus familiares, e instalação de barras de segurança e material antiderrapante nos banheiros.
"Entendemos que o tema da segurança do paciente está diretamente vinculado à qualidade do cuidado", afirmou a superintendente.
Créditos: Nanda Duarte