Com o objetivo de ampliar as chances de identificação do câncer de pulmão ainda em fase inicial, e assim aumentar as chances de cura, os serviços de Pneumologia, Cirurgia Torácica e o Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) implantaram, em 2014, o Protocolo de Rastreamento de Carcinoma Brônquico. A iniciativa, que já alcançou 250 pacientes, é um dos destaques do Caderno Especial pelo Dia do Médico, veiculado nesta sexta-feira, 16 de outubro, no Jornal do Comércio.
Confira a íntegra da matéria, produzida a partir de uma entrevista com o médico que coordena o Serviço de Pneumologia do Hospital Conceição, Maurício Leite:
Prevenção na prática
O Protocolo de Rastreamento de Carcinoma Brônquico para detecção de câncer de pulmão atendeu a cerca de 250 pacientes do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) em quase um ano de operação. Parceria entre os serviços de Pneumologia e Cirurgia Torácica e o Centro de Diagnóstico por Imagem, o programa é oferecido a pacientes que apresentam determinadas características de risco.
"O perfil do paciente é a porta de entrada", detalha o coordenador do Serviço de Pneumologia do Hospital Conceição, Maurício Leite, destacando que independe da enfermidade que o internado apresente. O objetivo é estabelecer a saúde preventiva, identificando o câncer de pulmão ainda em fase inicial e que tem mais chances de cura. A iniciativa é pioneira no Sistema Único de Saúde. A meta é reduzir a mortalidade em 20%, como ocorreu em estudos em outros países com evidências científicas. O protocolo foi instituído a partir da constatação que a maior parte das práticas necessárias já funcionavam em diversos setores do hospital e demandou apenas uma organização destes procedimentos. A partir do programa, começaram a ser realizados exames menos agressivos e foi ampliado o atendimento no ambulatório de tabagismo.
Agora, as tomografias de tórax sem contraste são realizadas com protocolo de baixa dose, o que significa sete vezes menos radiação do que uma tomografia convencional. "É a aplicação do protocolo mais atual para a detecção precoce, em benefício dos usuários do SUS." Após o diagnóstico, o paciente volta para o médico que o atendeu para encaminhamento de investigação. "O objetivo é oferecer um tratamento que cure", afirma Leite. Caso seja fumante, o hospital oferece o laboratório do tabagismo para estimular o paciente a deixar de fumar. De acordo com os primeiros resultados, 60% dos pacientes que entram no protocolo continuam fumando ou pararam há menos de um ano.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Dpoc) é a quarta causa de mortes no mundo. Segundo o médico, os cânceres em geral estão caindo, menos a Dpoc. Futuramente, os gestores planejam expandir o Protocolo para as unidades do Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição.
Créditos: Jornal do Comércio (Foto: Giovanni Andrade/Ascom GHC)