Para marcar os cinco anos do Centro de Atenção Psicossocial à Infância e à Adolescência (CAPSi) Pandorga, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) realizou nesta quinta-feira, 22 de outubro, um seminário sobre Saúde Mental. Na ocasião, diversos palestrantes e inscritos se reuniram no auditório do Instituto da Criança com Diabetes (ICD) para refletir e debater sobre os avanços e os desafios da área.
Presente na abertura, a diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, falou sobre algumas metas de sua gestão. “O GHC tem vários méritos, um deles é a fixação das equipes, tanto na saúde comunitária quanto na atenção básica. Um dos meus objetivos como gestora é aproximar a gestão da atenção. Pois a saúde se produz muito autonomamente, até pela profissionalização das equipes e pelo contato dos pacientes com os familiares, que é único e muito próprio de trabalhar”, enfatizou a diretora.
O gerente de Saúde Comunitária e Unidades de Saúde Mental do GHC, Neio Lúcio Pereira, ressaltou ser de extrema importância que todos os profissionais envolvidos no cuidado entendam como se articula a rede de atenção à saúde mental, tanto no âmbito do município como interligada regionalmente.
Também participaram da abertura o médico do CAPSi, Marcelo Borges Leite e a mãe de um usuário do centro, Giovana Oliveira.
Diálogo interdisciplinar: contribuições do cinema
A comemoração se estendeu durante o dia com palestras e debates acalorados. Em um desses momentos, foi exibido o documentário “A invenção da infância”, que trata sobre a realidade de crianças de rua. O seminário contou com a participação da cineasta realizadora do filme, Liliana Suzback, que dividiu uma mesa com a coordenadora do Serviço de Adolescentes do GHC, a hebiatra Lílian Day Hagel e a professora do Instituto do Adolescente da UFRGS, Sandra Djanolakdji Torosian.
Liliana relatou que o documentário demorou 5 anos para ser concluído. Ela acreditava que em 2000, ano que o filme foi lançado, ele estaria ultrapassado: “Me surpreende que até hoje ele seja usado para diversos tipos de discussão”, diz a Cineasta.
Lílian Day Hagel chamou atenção para fatores que explicam a atualidade do filme, como as transformações promovidas por novas tecnologias, que dão novos sentidos ao conceito infância e o aumento da mortalidade precoce. Ela enfatizou que atendimento do adolescente é um desafio que torna fundamental a profissionalização das equipes e um trabalho multidisciplinar, que tem o dever de acompanhar o desenvolvimento e o processo do que é ser adolescente.
A professora do Instituto do Adolescente da UFRGS, Sandra Djanolakdji Torosian comentou sua experiência com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, e ressaltou que é fundamental ouvir para que se possa auxiliar nas mudanças.
CAPSi - O Centro de Atenção Psicossocial à Infância e à Adolescência (CAPSi) Pandorga oferece atendimento integral em saúde mental a crianças e a adolescentes. Em média, o CAPSi atende cerca de 140 pacientes por mês, sendo realizadas em torno de dez Oficinas Terapêuticas por semana, isto é, atividades culturais que desenvolvam a capacidade psicomotora dos acolhidos pelo CAPSi. A instituição possui 19 profissionais da área da saúde, entre eles, psiquiatras, enfermeiros, técnicos em enfermagem, assistentes sociais, nutricionista, atendente de nutrição, psicopedagogo, psicólogo e arte terapeuta. O objetivo é a reinserção familiar e social. O encaminhamento de crianças e adolescentes para o CAPSi acontece via Unidade Básica de Saúde (UBS), ou casos urgentes. O Centro funciona no endereço: Rua Dom Diogo de Souza, 429, no Bairro Cristo Redentor, de segunda a sexta-feira das 8h às 18h.
Créditos: Graziella Silva