O 11º encontro das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) lotou o auditório do Hospital Cristo Redentor (HCR) nesta quarta feira, 29 de outubro. Seu objetivo principal foi debater estratégias de cuidado na doação de órgãos, tanto no procedimento de captação, quanto no tratamento com os familiares dos pacientes.
Atualmente, 70% dos funcionários do GHC se declaram doadores de órgãos, segundo pesquisas realizadas pelas comissões. De acordo com o coordenador das CIHDOTTs do GHC, Augusto Cappelleti, há um trabalho externo da grande mídia para promover essa conscientização, mas também há fundamentalmente um trabalho interno. Já que periodicamente os coordenadores das CIHDOTTs se reúnem para planejar divulgações sobre importância da doação de órgãos. Além disso, também há pesquisas e estudos de caso realizados duas vezes ao mês entre os profissionais envolvidos.
Capelleti cita ainda o compromisso institucional do grupo com o tema, concretizado em uma portaria que declara a doação de órgãos como uma atividade essencial do GHC, orientando todas as gerências a auxiliarem o processo de doação.
“Atualmente, as CIHDOTTs vêm crescendo, temos envolvimentos em todos os setores, até na área administrativa. Além de médicos, trabalhamos com enfermeiras, assistentes sociais e psicólogos. Tudo isso tem mudado a cultura: antigamente não se tinha consciência do potencial da sobrevida, de que embora um paciente esteja morto, possa salvar cinco ou seis vidas’’, afirma o coordenador.
O coordenador da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, Cristiano Franke, chamou a atenção para a importância das comissões intra-hospitalares e do investimento em formação das equipes que auxiliam na conscientização das famílias sobre a importância da doação de órgãos. “Isso é mais resultado do comprometimento dos profissionais do que de uma forma de gerenciamento. Quando há um potencial doador, o profissional da CIHDOTT tem que estar envolvido no processo, ao lado do paciente, junto à equipe da UTI e junto à equipe da emergência”, ressalta.
Capeletti e Franke defendem que a atuação das comissões tem impacto expressivo sobre uma das questões mais delicadas a respeito do tema: a negativa familiar. Segundo o coordenador da Central, no Rio Grande do Sul, dependendo do hospital, a taxa de negação varia entre menos de 20% até 80%. No GHC, esse índice hoje está em trono de 30%, um desempenho melhor do que a média do RS. Franke complementa: “A doação começa quando as famílias chegam no hospital, as informações que recebem e a maneira como são tratadas vão determinar na hora da decisão”.
Também participou do Encontro o gerente de pacientes externos do Hospital Conceição, João Albino Potrich, representando o diretor técnico do GHC, José Fossari. Ele convocou os palestrantes para discutir os avanços na área da doação de órgãos e tecidos para transplantes. Informou, ainda, que a criação de um banco de ossos para o HCR está sendo discutida na direção, em benefício dos usuários do SUS que acessam o serviço.
O evento promoveu uma roda de conversa para esclarecer as dúvidas mais frequentes em relação ao cuidado com as famílias dos pacientes, como, por exemplo, técnicas de abordagem às famílias. A programação incluiu ainda palestras de profissionais da Ong Via Vida, do Hospital Santa Casa e do Hospital Universitário de Santa Maria.
Certificação
Hoje, o GHC conta com uma Cihdott em cada hospital (Conceição, Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina). Em 2014, no GHC foram captados 100 córneas, 13 peles e 24 múltiplos órgãos, sendo cada coleta de múltiplos órgãos, em média de 7 órgãos.
O Hospital Cristo Redentor está entre as instituições que mais contribuem na captação de órgãos para a realização de transplantes no Estado. Como reconhecimento a esse trabalho, o Governo do Estado concedeu, em setembro, a certificação de “Instituição Incentivadora da Vida” à unidade do GHC.
Créditos: Lorenzo Leuck