A Residência Integrada em Saúde (RIS) Ênfase em Saúde da Família e Comunidade do Grupo Hospitalar Conceição promoveu na manhã desta terça-feira, 10 de novembro, um seminário aberto com o tema “Gênero e diversidades”. Dirigido a residentes e trabalhadores da Gerência de Saúde Comunitária, residentes das outras ênfases e usuários, o encontro foi realizado no Hotel Coral Tower, em Porto Alegre.
A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, saudou os participantes. “A Residência faz diferença para a formação e para a prática profissional, é um espaço privilegiado de indagação, de formulação de problemas e que estimula a tomada de decisão e possibilita efetivar o cuidado com sensibilidade e alteridade”, disse, ao elogiar a iniciativa.
Comissões trabalham o tema no GHC
O trabalho das comissões de Gênero e de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Cegênero e Ceppir) do GHC foi apresentado por Clori Pinheiro, que iniciou sua apresentação lembrando o artigo 5º da Constituição Federal, que afirma: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
Clori destacou ações como a capacitação sobre a inclusão de violência como agravo de notificação obrigatória pelos profissionais de Saúde. “O que é violência? Para mim, é o avesso do direito”, provocou.
O acolhimento do Hospital Fêmina ao casal transexual Helena e Anderson foi lembrado pela coordenadora da Cegênero como uma oportunidade de trabalhar a prática da garantia dos Direitos Humanos junto à equipe profissional que promove o cuidado. O pequeno Gregório, filho do casal, nasceu no Fêmina em julho.
Gênero: construção social
O seminário também foi uma oportunidade de atualização sobre o debate teórico a respeito das questões de gênero. “Gênero é uma categoria explicativa das relações sociais baseadas no sexo. Um conceito analítico e descritivo de produção de desigualdades com base no sexismo, no machismo e no patriarcado”, destacou o assistente social Guilherme Ferreira, do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (Saju)/UFRGS.
Ele defendeu que o ato de identificar alguém como homem ou mulher é uma decisão social que depende do conjunto de crenças de uma determinada cultura a respeito do que significa ser um ou outro. “Gênero e sexo são produtos discursivos, históricos e sociais”, afirmou. Ele também chamou a atenção para a intersecção entre categorias que induzem violências, citando o caso de uma professora negra que vivenciou em um restaurante uma experiência de violência racista e de gênero.
A partir das provocações dos palestrantes, os residentes e profissionais de saúde foram estimulados a participar do debate, discutindo de que maneira essas questões permeiam o cuidado nos dispositivos de Saúde e como os profissionais precisam estar atentos para não reproduzir violências em suas práticas e serem indutores da garantia de direitos.