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12.11.2015 HOMENAGEM

Dedicação às vítimas da Boate Kiss rende distinção ao Ambulatório do HCR

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional homenageou os funcionários do Hospital Cristo Redentor pelo serviço prestado aos sobreviventes da tragédia de Santa Maria
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Equipe do Ambulatório de Reabilitação do HCR com a placa de homenagem.
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Jéssica Duarte da Rosa, atendida no serviço, hoje cursa Fisioterapia.
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A placa que registra a homenagem do Crefito à equipe do HCR

Profissionais do Ambulatório de Reabilitação do Hospital Cristo Redentor (HCR) receberam, no dia 17 de outubro, uma conderação do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 5ª Região (Crefito 5). A distinção, que foi concedida durante a cerimônia de comemoração de 30 anos do conselho, homenageou hospitais e profissionais que acolheram o chamado do Crefito 5 e, conforme a entidade, trabalharam incansavelmente, com coragem, competência e solidariedade, para diminuir o sofrimento das vítimas do incêndio da Boate Kiss. O acidente ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, na cidade de Santa Maria.

Naquele dia e no seguinte, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HCR acolheu sete pacientes procedentes de Santa Maria. Jovens entre 18 e 30 anos receberam tratamento para as sequelas respiratórias, danos físicos, queimaduras, cicatrizes das queimaduras e danos emocionais. Alguns seguiram em atendimento por mais de um ano no Ambulatório de Reabilitação do Hospital Cristo Redentor.

A equipe de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais do ambulatório se diz orgulhosa por ter prestado um bom atendimento às vítimas, tendo papel fundamental na recuperação dos pacientes, e muito feliz pelo reconhecimento.

Renascimento

Jéssica Duarte da Rosa, hoje com 23 anos, estava na Boate Kiss no momento do incêndio. Ela, que teve 45% do corpo queimado, foi levada para o HCR, onde permaneceu internada por 30 dias, 25 deles na UTI, se recuperando das queimaduras e intoxicação pela fumaça inalada. A jovem passou por raspagens, enxertos de pele e cirurgias reparadoras. Após receber alta, seguiu frequentando o Ambulatório de Reabilitação do hospital para fazer o acompanhamento das cicatrizes e fisioterapia necessária. “A coragem de seguir em frente veio do medo de decepcionar meus pais, que tanto lutaram pela minha vida, e por querer honrar aqueles que não tiveram a oportunidade que eu tive ficando aqui”, disse.

Motivação para cursar Fisioterapia

Jéssica cursava Administração na Universidade Federal de Santa Maria, mas, depois de sua recuperação, tomou a decisão de mudar sua formação. “A Fisioterapia do Hospital do Cristo Redentor foi uma das maiores, se não a maior, motivação para eu trocar de curso. Tive um atendimento excelente e uma recuperação que surpreendeu a mim e a minha família”, contou a jovem, que se mudou com a família para a cidade de Colombo, no Paraná. Ela foi aprovada em três vestibulares e hoje cursa Fisioterapia em Curitiba.

Atualmente, a jovem passa bem e não há mais necessidade de tratamentos contínuos. Eventualmente, se sofre algum problema pulmonar, passa por consultas e procedimentos adequados. Já as cicatrizes das queimaduras ainda têm reparos a fazer, segundo Jéssica. “Eu optei, por pelo menos este ano, parar de fazer cirurgias. Estou cansada de ir para o hospital, resolvi dar esta pausa”, completou.

A tragédia

Passava das 2 horas da madrugada, quando o fogo atingiu a espuma do isolamento acústico do teto da Boate Kiss, em Santa Maria. O fogo teria iniciado próximo ao palco, devido aos efeitos pirotécnicos usados durante a apresentação de uma das atrações daquela noite. A fumaça causou pânico e correria entre os frequentadores que, sem conseguir sair do estabelecimento, inalaram muita fumaça tóxica e/ou tiveram severas queimaduras. 242 jovens morreram e centenas ficaram feridos. A festa havia sido organizada por universitários, sendo a maior parte do público jovem.

A tragédia é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e com o maior número de mortos nos últimos 50 anos.

Créditos: Débora Escobar