Grupo Hospitalar Conceição ancora
logo
instagram facebook twitter youtube uptodate linkedin
20.11.2015 CONSCIÊNCIA NEGRA

Comissão Especial atua em prol da igualdade racial no GHC

No Dia da Consciência Negra, saiba mais sobre o trabalho desenvolvido pela Ceppir nas unidades do Grupo Hospitalar Conceição
files/img.ptg.2.1.01.8495.jpg
Equipe da Ceppir/GHC.
files/img.ptg.2.1.02.8495.jpg

Criada há 12 anos, a Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Grupo Hospitalar Conceição (Ceppir/GHC) tem hoje 36 integrantes, sendo 18 titulares e 18 suplentes, que desenvolvem um trabalho com foco no combate ao racismo institucional. Entre as conquistas da comissão, destacam-se a ampliação das cotas para afrodescendentes nos processos seletivos públicos do GHC, a inclusão de representação da religião de matriz africana no Espaço Inter-Religioso e a formação de um comitê técnico da saúde da população negra e outras etnias, que zela pela atenção integral à saúde com o recorte transversal de raça/etnia.

O reconhecimento do trabalho da Ceppir garantiu ao grupo o Troféu Carlos Santos em 2011, e o Prêmio Estadual de Direitos Humanos na categoria Direitos da População Negra em 2012.

“A adesão e a aceitação das políticas afirmativas são difíceis de implementar, pois ainda não há um entendimento da necessidade real dessas ações. Muitas pessoas dizem: ‘Por que uma atenção especial à saúde da população negra se todo mundo é igual?’ É diferente, as doenças que acometem a população negra são diferentes das doenças que acometem a população branca”, afirma Ludmila Marques, coordenadora da Ceppir.

Cotas raciais em concursos públicos

Em 2005, iniciaram os primeiros concursos com cotas raciais de 10% no GHC. Na época, houve adversidades para a sua implementação, no entanto, essa medida coincidiu com o movimento das cotas nas universidades, conseguindo então somar forças à sua adesão.

Nove anos depois, em 2014, a instituição assinou um pacto de combate ao racismo institucional, passando de 10% para 20% a reserva de vagas para negros nos concursos públicos de 2016. Assim como a criação da Ceppir, esses direitos foram conquistas dos trabalhadores.

Celebração da Consciência Negra

Devido às ações da Ceppir, o Dia da Consciência Negra não demorou muito para virar semana, e, logo em seguida, mês. Nessa edição, a programação das atividades consiste tanto em atividades lúdicas como rodas de capoeira, oficinas de turbante e apresentações musicais, quanto marchas nacionais e debates a respeito da cultura africana e discriminação racial.

“A construção de um processo libertário está em cada gesto de cuidado, não só nas grandes construções políticas e históricas. Está em cada paciente que atendemos e com cada colega que trabalhamos. É na micropolítica que vai se decidir a construção da liberdade e da igualdade na promoção da saúde”, afirmou Márcio Mariath Belloc, gerente de Unidades de Apoio do GHC, durante o evento Saúde da População Negra em Foco, realizado no dia 17 de novembro.

Representação no Espaço Iter-Religioso

Outro êxito da Ceppir foi garantir a inclusão de religiões afro-brasileiras no Espaço Inter-Religioso do GHC. “É uma quebra de paradigma”, destaca o Babalorixá Mirin de Xapana. Ainda que a intenção inicial tenha sido prestar auxílio aos pacientes, majoritariamente são os funcionários que buscam seus serviços. O trabalho das Religiões de Matriz Africana no GHC é diferenciado, pois não possui um procedimento padrão, permitindo que cada segmento atenda de sua maneira.

Mirin lembra que a inclusão de representação de Religiões de Matriz Africana no espaço passou inicialmente por um período de resistência: “Tanto do lado de cá quanto do lado de lá, tem gente que pensa que a capela é um lugar de branco. Penso o contrário, é um lugar histórico, pois até mesmo os escravos as usavam para reverenciar os seus orixás, não é mesmo?”, provoca.

Estímulo à produção quilombola

Outro destaque entre as ações que envolvem a atuação da Ceppir, em conjunto com outros setores como a Gerência de Materiais, é o viés que o Programa de Aquisição de Alimentos, do Governo Federal, ganhou no GHC. O Grupo foi a primeira instituição pública, em âmbito nacional, a aderir a compra de alimentos certificados com o Selo Quilombos do Brasil, estimulando especificamente a produção da agricultura familiar quilombola.

“Isso significa comprar de quem nunca conseguiu vender para nenhuma instituição pública, porque a lei que regia a questão das licitações era engessada e só propiciava a aquisição aos grandes negócios. 70% do que é produzido no Brasil vêm da agricultura familiar, dentro deste número estão os quilombolas. O que é comprado ou vendido para os órgãos públicos fica na mão dos 30%. Mas assim como as associações de agricultura familiar, os quilombolas estão se organizando”, defende Elipídio de Souza, coordenador da Participação Cidadã do GHC.

Nesta última quinta-feira (19), durante o evento alusivo ao Dia da Consciência Negra, em Brasília, foi anunciada a segunda chamada pública para compra de produtos da agricultura familiar quilombola pelo GHC. A iniciativa ampliará o seu alcance para mais de 60 comunidades, com a produção estimada 146 toneladas de alimentos.

Como entrar em contato com a Ceppir

O apoio psicológico às vítimas de discriminação racial é feito a partir de atividades de capacitação e formação entre os trabalhadores e usuários, organizadas e divulgadas pela própria Ceppir. Todas as ações fixas constam no calendário anual, porém, outra característica do grupo é a sua autonomia para elaborar atividades como rodas de conversa para combater as incidências de racismo em qualquer um dos hospitais do GHC.

Quando efetivamente há denúncias de atitudes racistas, a Ceppir as acolhe e discute com seus integrantes. Os pareceres então são encaminhados para um grupo de trabalho formado pela Direção, Assessoria Jurídica, Gerência de Apoio, Participação Cidadã e Gestão do Trabalho, Educação e Desenvolvimento, que decide o que há de ser feito.

A coordenação da Ceppir acredita que, por meio das políticas afirmativas articuladas, é possível contestar as condições históricas que possibilitaram a desigualdade social entre as etnias e consolidar novas relações, com igualdade de oportunidades.

Créditos: Lorenzo Leuck