Quem circular pela entrada do Hospital Conceição, no dia 2 de dezembro, além de encontrar os tradicionais espetinhos e cachorros-quentes que costumam ser comercializados por ali, vai se deparar com uma carrocinha que “vende” artigos bem particulares: escritos de gaveta e cartões postais feitos a partir de fotografias que não deram certo. A moeda necessária para levar o item desejado é a disposição do comprador de contar uma história ao vendedor de plantão. Trata-se do projeto Armazém de Histórias Ambulantes, que também levará uma banca ao pátio interno do HNSC no dia 15, em frente ao Chalé da Cultura.
Para montar o acervo da Carrocinha no hospital, o Chalé da Cultura estará recebendo, de 1º a 8 de dezembro, a doação dos seguintes objetos:
-fotografias que não deram certo (fora de foco, superexpostas, etc). Elas serão transformadas em cartões postais.
-escritos de gaveta: qualquer tipo de texto é bem-vindo, com ou sem ambição literária. Podem ser poesias, contos, listas, bilhetes, cartas, relatos de sonhos, fragmentos de vida, etc. A proposta é que sejam significativos para a pessoa que o escreveu. Devem ser entregues de forma anônima ou identificado.
Na carrocinha, os relatos recebidos no ato da troca, seja oralmente ou por escrito, retornam ao acervo como novos produtos, gerando o que a equipe do projeto chama de “microeconomia poética”, a circulação de fragmentos sensíveis, de memórias e ficções anônimas.
Exercício de empatia e de promoção de saúde
A passagem da carroça pelo Hospital Conceição é mais uma estratégia na implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde, que preconiza o desenvolvimento de ações educativas inovadoras, utilizando diferentes linguagens culturais e que valorizem o uso dos espaços públicos de convivência. O objetivo é potencializar a cultura como ferramenta de promoção da saúde.
O projeto Armazém de Histórias ambulantes busca estimular um outro olhar sobre o valor dos objetos, e oportuniza encontros na cidade, sensibilizando as pessoas para uma relação menos utilitarista e impessoal no convívio social. Além de acionar o improviso, a imaginação e a memória dos narradores, o Armazém abre um espaço público de escuta que tende a estimular relações de disponibilidade, confiança e empatia entre estranhos, no meio urbano, favorecendo a formação de vínculos sociais.
As atividades previstas no Hospital Conceição integram uma programação itinerante de celebração dos oito anos do projeto.
Créditos: Débora Escobar e Nanda Duarte