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01.12.2015 AFIRMAÇÃO DA VIDA

Hospital-Dia da Infectologia do HF compartilha histórias de pessoas que convivem com o HIV

Objetivo é mostrar como a relação entre usuários e serviço pode transformar o medo de um diagnóstico em uma nova forma de ver a vida e servir de inspiração para outros pacientes

No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, a equipe do Hospital-Dia da Infectologia do Hospital Fêmina compartilha a história de dois usuários que ilustram a importância do serviço na vida de quem necessita de certos cuidados. A ideia é que os casos de sucesso sirvam de inspiração para quem tem o vírus da Aids e auxiliem a equipe da assistência no tratamento de outros usuários.

Transformação
O primeiro caso compartilhado é o de uma mulher que descobriu o vírus HIV aos 29 anos, quando estava grávida do terceiro filho. Após o diagnóstico, ela foi encaminhada para o pré-natal especializado e iniciou o tratamento. Quando chegou ao Hospital-Dia de Infectologia do Hospital Fêmina, a mulher conta que sentia vergonha, e que tudo parecia rodar na sua volta, pois estava vivendo um enigma. “Com o tempo fui entendendo essa nova vida. Foram as palavras de apoio e as informações corretas dos profissionais da Infectologia do Fêmina que me ajudaram na transformação do enigma do mundo feio que estava na minha frente para o desafio de enfrentá-lo”. Aos poucos e ao seu modo, L.M. descobriu uma forma diferente de se colocar no mundo, retomando seu espaço e sua carreira. Além de ter os três filhos livres do vírus, inclusive o que estava sendo gestado na época do diagnóstico, a mulher mantém sua carga viral indetectável, isto é, mantém o vírus controlado com medicação há 9 anos. Hoje é empresária e possui dois pontos comerciais.

Eu não tenho mais medo
A outra história mostra o quão delicado é contar a uma criança sobre o seu diagnóstico. Em acompanhamento no Hospital-Dia da Infectologia do HF desde o primeiro mês de vida, aos 10 anos um menino questionou a equipe da assistência o porquê de tomar tantos remédios e seus irmãos, não. E, no raciocínio rápido de quem sonha alto, falou: “Eu queria ser jogador de futebol, mas não vou poder jogar futebol porque tenho que parar o treino para tomar remédios!”. Ele havia contraído o vírus HIV por transmissão vertical materna, pois a mãe só descobrira que era portadora do vírus na hora do parto, e, por este motivo, sentia-se muito culpada. Após analisar a necessidade de contar a verdade e receber autorização da mãe, a equipe resolveu então preparar um momento para revelar ao garoto o diagnóstico. Perguntado se estava com medo, o menino respondeu que só sentiria medo se o nome da doença fosse muito grande. De forma lúdica, então, foi explicado ao jovem paciente o que significava o HIV, como ele havia contraído o vírus, a importância de seguir com o tratamento e também que existem centenas de crianças que nem ele que convivem com o diagnóstico. “O nome do que eu tenho é HIV. É pequenino e eu não tenho mais medo!”, concluiu após a explicação.

Hoje, aos 13 anos, o menino lê e pesquisa muito sobre HIV e Aids, e as preocupações e questionamentos, por conseqüência, já são outros, mas continua sonhando com a cura da Aids. De um modo geral, para a equipe do Hospital-Dia, o caso do menino é uma história de sucesso, pois trata-se de um adolescente que desde bebê está aderente ao tratamento. Além disso, por tomar os remédios rigorosamente no horário e seguir o tratamento correto, o menino também mantém a carga viral indetectável, e já é um exemplo para outras crianças do setor que ainda não compreendem muito bem a necessidade de medicação.

Para a equipe da Infectologia do HF, as histórias que ali acontecem promovem a reflexão sobre a importância do trabalho em equipe para atender às demandas. A equipe procura mostrar a capacidade de cada um para garantir a vida, tentando se desfazer do ônus que o vírus impõe. Segundo eles, a experiência de lidar com cada caso permite também novas experiências em todos os sentidos, que estão relacionados ao senso de urgência de viver.

Créditos: Mariana Ribeiro