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05.01.2016 CIDADANIA

Restabelecendo vínculos

Desde 2013, usuários de Saúde Mental residentes do Residencial Terapêutico Casa da Praça recebem atendimento nas unidades do GHC. Iniciativa busca a reintegração e o resgate da cidadania desses usuários.
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Atividades ao ar livre, como os piqueniques promovidos na praça junto ao Residencial Terapêutico, são estimuladas a partir do novo modelo de assistência em saúde mental.

Casas constituídas para atender às necessidades de moradia de usuários de Saúde Mental com longa permanência em instituições totais, essa é a proposta do Serviço Residencial Terapêutico (SRT), do Ministério da Saúde. Em busca da desinstitucionalização e extinção dos hospitais psiquiátricos, a estratégia busca a reintegração desses usuários no convívio comunitário, com o objetivo de resgatar a cidadania interrompida pelo modelo de atenção anterior à Reforma Psiquiátrica.

Cada residência recebe grupos de, no máximo, dez pessoas, que tenham longa permanência em hospitais psiquiátricos. Os moradores contam sempre com suporte profissional para atender demandas e necessidades diárias. Em Porto Alegre, um destes serviços é o Casa na Praça, localizado na Zona Norte.

Desde 2013, usuários deste residencial recebem atendimento nas unidades de saúde, centros de atenção psicossociais (CAPS) e hospitais do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), uma vez que a Casa foi instituída na região em que o GHC é referência para atendimentos básicos e especializados.

A assessora da diretoria do GHC Károl Cabral explica que o serviço mais utilizado pelos moradores é ofertado pelo CAPS II - Adulto: “O CAPS realiza visitas domiciliares, oferta tratamentos, oficinas, atividades lúdicas e recreativas com os usuários do Residencial”.

O processo de reintegração na sociedade ocorre de forma que o usuário volta a circular nos ambientes de convívio social e retoma atividades consideradas comuns. Károl ressalta a importância de voltar a esse convívio: “Uma vez que tu estás circulando, tu passas a existir naquela cidade”, diz.

O psiquiatra do CAPS II Aldemo Limberger explica que, a partir do encaminhamento realizado pela equipe do Residencial Casa da Praça, o centro presta suporte aos usuários: “O residencial é uma grande iniciativa, é muito importante, é um atendimento muito mais personalizado, muito mais humanizado”, destaca.

O Residencial Casa da Praça

O Serviço Residencial Terapêutico Casa da Praça foi instituído no ano de 2013, na Zona Norte de Porto Alegre. Contando com uma equipe multidisciplinar, a casa recebeu dez moradores usuários de longa permanência do Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP), alguns com mais de 20 anos de internação.

O retorno ao convívio em uma residência permite aos moradores restabelecer vínculos com a sociedade e retomar o aprendizado de atividades cotidianas, como a rotina residencial.

As casas do projeto são alugadas pela Secretaria Estadual da Saúde.

Reforma Psiquiátrica

A Reforma Psiquiátrica propõe a desinstitucionalização das pessoas de longa permanência nos hospitais psiquiátricos. Questionando eficácia terapêutica desse tipo de tratamento, surgiu a necessidade de criar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que articula serviços de saúde com outros setores da sociedade.

Créditos: Graziella Silva (Texto) . Alina Souza/Divulgação Palácio Piratini (Foto).