A equipe de Pesquisa Clínica da Cardiologia do Hospital Nossa Senhora Conceição (HNSC) vem participando de estudos multicêntricos para testar novos medicamentos que reduzem o colesterol. Os estudos Odyssey e Fourier, realizados pela Duke University, da Carolina do Norte, e pela Amgem (EUA), respectivamente, estão em andamento e seguem testando novos anticorpos com a função de melhorar os receptores de colesterol e, assim, baixar o colesterol no sangue. Os resultados preliminares foram positivos, com até 70% de redução do colesterol ruim (LDL).
O HSNC foi incluído no estudo junto com os principais centros de pesquisa clínica do Brasil e instituições da América Latina, América do Norte e Europa. Segundo o cardiologista e investigador principal do Hospital Conceição nesta pesquisa, Pedro Pimentel Filho, a escolha do HNSC foi baseada em indicadores de qualidade que comprovam a capacidade do hospital de participar do estudo. “A seleção é baseada na tradição e na qualificação do centro de pesquisa e no currículo dos pesquisadores. É um prestígio para o hospital e um privilégio para os nossos pacientes esse estudo passar por aqui”, explica Pimentel.
Expectativa de redução de mortalidade
Os estudos envolvem cerca de 46 pacientes do HNSC, selecionados por critérios de risco. Os anticorpos são utilizados como alternativas para o uso de estatinas, devido à insuficiência deste medicamento ou intolerância dos pacientes, e também é utilizado como complemento às estatinas. Esses medicamentos abrem a perspectiva para a redução da mortalidade cardiovascular no mundo todo: “Sabemos que quanto mais baixo o colesterol ruim, melhor para o indivíduo. Os tratamentos que reduzem drasticamente o colesterol LDL diminuem muito as doenças vasculares, seja infarto ou acidente vascular cerebral”.
A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, enfatiza a importância das pesquisas que incidem sobre problemas da população com alta prevalência e magnitude. “É preciso ressaltar a excelência das equipes que fazem assistência, ensino e pesquisa no GHC, e, assim, agregam valor à instituição”, destaca. A dirigente informa ainda que a gestão trabalha para fortalecer a institucionalidade da área junto à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.
Estudos vão influenciar diretrizes médicas
Os resultados desses estudos foram apresentados no congresso do American Heart Association, nos Estados Unidos, em novembro de 2015. Apesar do término indeterminado do estudo, os remédios já foram aprovados pelos órgãos reguladores de saúde nos Estados Unidos (FDA) e na Europa (EMEA). A expectativa é que usuários do SUS no Brasil também sejam, futuramente, beneficiados, mas ainda não há previsão de chegada do medicamento ao Brasil.
Além disso, se comprovados os resultados, as orientações passarão a integrar as diretrizes médicas mundialmente. No HNSC, além de Pedro Pimentel Filho, participam do estudo as farmacêuticas e coordenadoras de estudos clínicos Charlise Zucchetti e Chaiane Zucchetti.
Créditos: Giovanni Andrade