No ano de 2015, as unidades de saúde do Serviço de Saúde Comunitária (SSC) e os centros de atenção psicossocial (CAPS) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) desenvolveram diversos grupos e oficinas que mostraram que saúde e cultura andam lado a lado. Os grupos realizam atividades de acordo com os perfis dos usuários de cada unidade, tendo sempre como objetivo incentivar o aumento do grau de autonomia das ações e do auto cuidado para a melhora da qualidade de vida dos participantes.
A experiência com grupos que fazem os usuários repensarem atos cotidianos vem sendo satisfatória e, com isso, surge a expansão das atividades no SSC, como ocorreu com o projeto Saúde no Prato que, após a iniciativa da Unidade de Saúde Leopoldina, foi implantado também na Unidade Conceição.
Confira os projetos desenvolvidos
CAPS Infantil
O objetivo da Oficina Fábrica de Monstros, também conhecida por Oficina de Arteterapia, é dar forma aos monstros interiores e oferecer uma expressão dos conflitos internos que não seja por meio da palavra. No grupo, crianças de 7 a 13 anos criam e compartilham, a partir de sucatas, colagens e desenhos, os medos, as angustias e até os momentos bons por eles vividos. As atividades são divididas em três momentos, sendo que, no primeiro, as crianças imaginam o projeto, após, o colocam em prática, sendo, por meio dele, observadas e, por fim, efetivam a construção tridimensional do projeto inicial. Os monstros são construídos pela criança de forma independente, permitindo, assim, a liberdade de expressão do usuário.
O grupo ocorre uma vez por semana, na sede do CAPSi, sendo na segunda-feira ou quarta-feira, das 10h às 11h30min, e é ministrado pelo técnico em educação artística Rogério Dias Gonçalves.
CAPS II Adulto
Tendo como objetivo a reinclusão social dos usuários do CAPS II Adulto, a arteterapeuta Deise Macedo ministra a Oficina de Marcenaria. O grupo reúne cerca de dez usuários, que utilizam madeira como material para os encontros. Além de buscar formas inovadoras de trabalhar com madeira, usuários com dificuldades sensório-motor têm a oportunidade de focar energia em atividades que lhes proporcionem prazer. A oficina também é espaço potencial para desenvolver o trabalho em grupo e ressaltar a capacidade de cada participante. O grupo se reúne toda quarta-feira, das 9h30min às 11h30min.
CAPS III Álcool e Drogas
No Grupo Recriarte, a assistente social Janaina do Amaral e a terapeuta ocupacional Juliana Cordeiro realizam, com cerca de 20 usuários com problemas cognitivos, retardos e tremores, trabalhos manuais, ou seja, confecção de mandalas, velas e pinturas. O objetivo é melhorar a autoestima desses usuários, além de trabalhar a paciência e a ansiedade deles de forma que cada um consiga desenvolver o objeto proposto e apresentar a conclusão do trabalho. O grupo se reúne toda segunda-feira, às 14h.
US Divina Providência
O Grupo Artebella desenvolve atividades artesanais, pintura e costura com usuárias da Unidade de Saúde Divina Providência. As peças desenvolvidas nas oficinas são vendidas em bazares realizados durante o ano. O valor arrecadado por meio dos trabalhos é destinado a um passeio realizado anualmente. O objetivo do grupo é trabalhar o convívio em sociedade. A oficina é realizada toda segunda-feira, das 14h às 17h, e é ministrada pela técnica em saúde bucal Vanessa Pinto, pela técnica de enfermagem Genilda Amaral e pela agente comunitária de saúde Lusmary Costa.
US SESC
A Unidade de Saúde SESC propõe uma maneira diferente de atender os usuários, trata-se das consultas coletivas em asma e das consultas sequenciais. O objetivo é qualificar a atenção destinada às crianças e adolescentes asmáticos, além de um maior conhecimento e um melhor controle da doença, auxiliando, assim, na qualidade de vida dos usuários, além de reduzir consultas não agendadas, idas às emergências e internações desnecessárias. O grupo conta com uma equipe multidisciplinar que realiza uma consulta inicial em grupo e, após, começa o atendimento, o qual se dá por meio de consultas individuais mensais, sob a coordenação da médica de família e comunidade Maria Lucia Lenz. Em 2013, a estratégia recebeu o Prêmio Lenita Wannmacher, e o trabalho foi publicado recentemente na Revista de Atendimento Primário em Saúde.
US Conceição
O Grupo Saúde no Prato, posto em prática desde 2012 pela Unidade de Saúde Jardim Leopoldina, também existe em outras três unidades de saúde, entre elas a Unidade de Saúde Conceição, que se destacou no ano de 2015, ao colocar o projeto em prática. O Saúde no Prato utiliza o método de consulta coletiva para orientar os usuários sobre hábitos alimentares adequados. São realizados então quatro encontros durante o mês, sendo os três primeiros para orientações e a última reunião para manutenção, onde os profissionais realizam a pesagem e verificam os exames dos usuários. As reuniões ocorrem das 18h às 20h, exclusivamente na Unidade de Saúde Conceição, para atender usuários que trabalham em horário comercial. O grupo é coordenado pela nutricionista Aline Gerlach.
US Santíssima Trindade
Grupo Mil Artes
O Grupo Mil Artes produz artesanatos a partir de material reciclado, promovendo uma troca de experiências entre funcionários e usuários, além de estimular a criatividade das usuárias. Para a realização das atividades, são utilizados jornais, garrafas pet, papelão e demais materiais recicláveis, e as participantes então são estimuladas a soltar a imaginação e criar diversos objetos, entre eles peças de decoração. As usuárias se reúnem todas as quartas-feiras, das 15h às 17h, na Unidade. O grupo é uma iniciativa do Chalé da Cultura e, devido à expressiva adesão, foi também implantado na unidade de saúde.
Horta Comunitária
A Horta Comunitária da Unidade Santíssima Trindade tem como objetivo proporcionar aos usuários que residiam na Vila Dique um reencontro com alguns hábitos pelos quais demonstraram sentir falta ao mudarem para o novo bairro. O grupo conta exclusivamente com mulheres que, ao terminarem o processo de plantio, podem levar as plantas para casa. A atividade é realizada toda quarta-feira, das 9h às 10h.
US Costa e Silva
O projeto piloto desenvolvido pela Unidade de Saúde Costa e Silva tem como objetivo pesquisar pacientes com diabetes e hipertensão que são usuários do serviço da unidade. É composto por uma equipe multidisciplinar que envolve trabalhadores e residentes. O principal propósito dos encontros é empoderar os usuários com relação ao uso de medicamentos que utilizam. O grupo realiza reuniões semanais, onde os usuários são orientados sobre essas doenças. O projeto, coordenado pela farmacêutica Luciane Kopitkke, deve ser implementado e implantado nas 12 unidades de saúde do GHC. A novidade fica por conta da Universidade de Brasília que, neste ano, pretende por o projeto em prática nessa instituição.
Créditos: Graziella Silva (texto). SSC/GHC (fotos).