Ocorreu, na manhã desta quarta-feira, dia 20, a oficina “Saúde Mental e Racismo”, promovido pelo Grupo Hospitalar Conceição, dentro da programação do Fórum Social Temático 2016, na Escola Técnica Parobé. Coordenando a mesa, estava a psicóloga do Consultório na Rua do GHC Sílvia Ramão, acompanhada por Vera Beatriz Soares Cruz, da Participação Cidadã do GHC. O objetivo da oficina foi discutir os impactos do racismo brasileiro na saúde da população negra, quais os efeitos na saúde mental e física, além de apresentar a política de atenção à saúde da população negra.
A proposta central foi explicar como a experiência do racismo produz sofrimento e sintomas que se manifestam de maneira psíquica, emocional e até física. Durante a conversa, as oficinas “Quilombismo Contemporâneo: O poder para mudar” e “A década internacional de afrodescendentes” foram incorporadas à oficina do GHC, promovendo uma grande mesa aberta com o tema central o racismo.
Segundo Sílvia Ramão, as vítimas de racismo podem sofrer de problemas como ansiedade, tristeza e sentimento de insegurança, configurando, por vezes, até um adoecimento mais grave, desenvolvendo quadros depressivos. Ela também explica que há o risco de se desenvolver síndrome de stress pós-traumático em decorrência de episódios de racismo. “Como em qualquer tipo de violência, as vítimas de racismo podem desenvolver a síndrome de estresse pós-traumático. Ficar relembrando o que aconteceu pode trazer sensações de angústia, medo, taquicardia e insônia. E precisamos reivindicar o cuidado adequado para esse tipo de problema”, disse ela.
Para Vera Beatriz, é fundamental entender e reconhecer o tratamento desigual para expor essa situação e buscar melhorias. “Reconhecer que há desigualdade no atendimento, garante que possamos fazer ações que reduzam as distorções, para corrigir e dar condições mais iguais de acesso à saúde para todos”, afirmou. Ela também destacou o trabalho das políticas de afirmação realizadas dentro do GHC, pensando na questão da saúde como bem-estar social.
A estudante Helena Ferreira, que participava da oficina, contou sua história, onde os episódios de racismo que sofreu dentro da escola afetaram sua saúde. Para ela, a razão principal foi por ser algo comum e não episódios isolados. “A questão do racismo não é de casos de exceção. Mas ele é extremamente estrutural e naturalizado e, por ser tão naturalizado assim, acabou me afetando tanto”, comentou.
A oficina foi uma das atividades do GHC dentro do Fórum Social Temático. Confira as próximas atividades:
Programação do GHC integrada ao Fórum Social Mundial 2016
* 21/01 – 9h – Estratégias de Educação/Ações Políticas
Local: Escola de Enfermagem da UFRGS
* 21/01 – 9h – Constituição do Conselho Municipal dos Povos de Terreiro de Porto Alegre
Local: Auditório dos Correios
* 21/01 – 10h – Ato Alusivo ao Dia Mundial das Religiões e Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
Local: Espaço Inter-Religioso do Hospital Conceição
* 21/01 – 10h45min – Impacto dos agrotóxicos na nossa vida (evento organizado pela CUT/RS)
Local: Auditório Araújo Viana
* 21/01 – 13h30 – Seminário Justiça e Intolerância Religiosa: judicialização do acesso a territorialidade africana
Local: Auditório dos Correios
* 21/01 – 17h – VIII Marcha Estadual pela Vida e Liberdade Religiosa
Local: Largo Glênio Perez
* 22/01 – 15h – Oficina Roda de Samba, Cultura e Saúde
Local: Casa de Cultura Mário Quintana
* 22/01 – 17h – Oficina Bolhas de Sabão
Local: Casa de Cultura Mário Quintana
* 22/01 – 17h – Lançamento do Programa Selo Terras Negras - MDA
Local: Câmara de Vereadores de Porto Alegre
* 23/01 – 9h – Oficina sobre Programa Selo Terras Negras - MDA
Local: Auditório Hotel Lido
Créditos: Giovanni Andrade