A tuberculose (TB) é uma doença transmitida pelo ar, causada pelo bacilo de Koch, no qual o principal sintoma é a tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos anos, o Brasil reduziu a taxa de mortalidade da TB de 2,9 óbitos por 100 mil habitantes no ano de 2003 para 2,3 óbitos por 100 mil habitantes em 2014. Mas por possuir cura, tratamento e eliminação, a taxa de mortalidade ocasionada pela doença ainda é alarmante, por isso, é considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Pensando nisso, no ano de 2007, foi implantada nas 12 unidades de saúde do Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (SSC/GHC) uma Linha de Cuidados para pessoas com TB e seus contatos, tornando a doença uma prioridade na atenção primária. A linha é uma parceria entre o SSC, os serviços de Pneumologia do hospitais Conceição e da Criança Conceição e o Serviço de Infectologia do Hospital Conceição, a qual também estabelece relações com os serviços de referência de tuberculose do Município de Porto Alegre e com o Hospital Sanatório Partenon (referência estadual). A Linha de Cuidados desenha o itinerário terapêutico necessário aos usuários na rede por meio dos fluxos estabelecidos pelos protocolos construídos, em conjunto, pelos diversos serviços participantes do cuidado.
A linha tem como objetivos principais realizar diagnóstico precoce da doença, por intermédio da identificação e investigação de sintomas respiratórios, oferecer o tratamento com esquema básico descentralizado de forma auto-administrada e supervisionada, realizar o acompanhamento das pessoas com TB até a cura, além de encaminhar, quando necessário, os usuários para os serviços de referência secundária, como os ambulatórios do Hospital Conceição, do Hospital da Criança Conceição, de Infectologia e dos centros de referência em TB do município. Também realizam o encaminhamento de casos que necessitam de internação para o serviço de referência terciária.
A implantação da descentralização do diagnóstico, tratamento e acompanhamento da TB na Atenção Primária à Saúde tem bons resultados, como relatou a enfermeira responsável pela Ação Programática da TB nas Unidades de Saúde do GHC, Sandra Ferreira. Segundo ela, a vinculação dos casos de tuberculose nas unidades do GHC para tratamento aumentou de 28%, em 2006, para 62%, em 2014, descentralizando aquele usuário que anteriormente se dirigia a centros de referência. Em 2006, o percentual de cura de todos os casos novos da doença era de 61%, aumentando para 80% nos últimos três anos.
Detecção e tratamento nas unidades de saúde
A detecção da tuberculose nas unidades de atenção primária é feita por meio do exame de escarro, que consiste na coleta de duas amostras de escarro na unidade de saúde, e também da radiografia de tórax.
Segundo Sandra Ferreira, ainda existe relutância dos usuários para realizarem o exame de escarro nas unidades de saúde: “Mas percebe-se que a resistência vem diminuindo a cada ano, especialmente porque os profissionais estão vestindo a camiseta da luta contra a TB e conseguindo realizar um trabalho de sensibilização da comunidade para esse problema, que é de fácil diagnóstico, mas que enfrenta ainda muito preconceito por parte da sociedade como um todo”, disse a enfermeira.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente o tratamento contra a tuberculose. Para alcançar a cura o paciente deverá realizar o tratamento durante seis meses, sem interrupção.
Créditos: Graziella Silva