O período de Comunicações Temáticas da sessão ordinária desta quinta-feira (25/2), na Câmara Municipal de Porto Alegre, foi destinado a debater medidas de prevenção e combate à ameaça dos vírus zika, chicungunha e dengue e a cruzada nacional para o combate e diagnóstico de casos de doenças possivelmente decorrentes desses vírus, transmitidos pela picada do mosquito aedes aegypti. Representando o governo federal, a diretora-superintendente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Sandra Fagundes, destacou a eficiência das parcerias no combate à infestação de mosquitos transmissores da doença.
A diretora Sandra Fagundes enfatizou as ações efetuadas pelo governo federal em todo o país, a exemplo da mobilização nacional no dia 13 de fevereiro, na qual o GHC atuou em bairros da Zona Norte de Porto Alegre, juntamente com os militares e a prefeitura. A colaboração de profissionais da saúde e de grupos de pesquisa, bem como da sociedade em geral, “tem resultado num trabalho eficiente”, afirmou. No total, são 18 entidades do governo federal, estados e municípios envolvidos na campanha, que conta com a colaboração do Exército Brasileiro, “batendo de porta em porta para verificar a existência de água parada” e a possibilidade de existência de focos, disse.
“A mobilização é uma oportunidade de trabalho coletivo tanto no conceito de saúde sanitária, na prevenção e melhoria na cultura da saúde”, ressaltou. Sandra não descarta a relação do zika com os casos de microcefalia. "Estão sendo encontradas evidências de associação entre os dois”, alertou Sandra Fagundes.
As iniciativas que compõem um plano de ações do GHC, foram frisadas pela diretora Sandra Fagundes, que citou o acompanhamento da comissão constituída por áreas estratégicas da instituição. "Capacitações às equipes, desenvolvimento de protocolos assistenciais, mutirão de limpeza e inspeção para evitar acúmulo de água nas unidades assistenciais e administrativas são algumas das atividades desenvolvidas de forma intensiva desde o início deste ano", salientou.
Combate ao Aedes
De acordo com a coordenadora-geral adjunta da Secretaria Municipal da Saúde, Charlene Schneider, Porto Alegre registrou até o último dia 23 de fevereiro, data do último levantamento, 401 casos de dengue, mas ainda não houve registros do zika. Charlene disse tratar-se de casos importados e autóctones, “contraídos localmente”, sendo que o maior número de casos tem ocorrido na região sul da Capital. “Só na Vila Nova foram registrados 24 casos recentes”, afirmou. Descreveu ainda que as infestações são analisadas semanalmente onde são programadas ações de remoção de lixos e resíduos, bem como de orientação aos moradores. Garantiu ainda que os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão preparados para receber pessoas com sintomas da doença.
Lavínia Shuler Faccin, presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica e coordenadora do departamento de Genética da UFRGS, lembrou que casos de microcefalia relacionados principalmente ao consumo de álcool pelas gestantes sempre existiram. Mas ultimamente tem se constatado casos de crianças com o perímetro cefálico menor que o normal. “E isso tem levado a crer que esteja relacionado ao zika”, diagnosticou. Disse que, no Nordeste, “isso tem ocorrido com fortes evidências”, justificando que as gestantes não têm nenhum tipo de relação com o consumo de álcool ou outras drogas, por exemplo. Conclui que o acompanhamento, os cuidados e principalmente o alerta em casos suspeitos são fatores determinantes para que se possa controlar e evitar os riscos.
Durante a sessão, fizeram pronunciamentos relacionados ao tema os vereadores Dr. Raul Fraga, Sofia Cavedon, Jussara Cony, Paulinho Motorista e Lourdes Sprenger, que parabenizaram os esforços conjuntos do município, estado e União no combate ao mosquito aedes e na prevenção.
Créditos: Lisandro Paim (texto, com informações da CMPA). Guilherme Almeida/CMPA (fotos).