A juíza do 1º Juizado de Violência contra a Mulher, Madgéli Frantz Machado, ministrou no auditório do Hospital Fêmina na manhã dessa segunda-feira, dia 14 de março, a palestra “Relações Sociais de Gênero: quais as implicações nos serviços de saúde”, na qual apresentou dados sobre violência doméstica e feminicídio e debateu com o público sobre suas possíveis causas e consequências. Também estiveram presentes os gerentes de Administração e de Internação do Hospital Fêmina, Marinéia Roldão da Rocha e Paulo Ricardo Bobek, respectivamente.
Madgéli introduziu o tema refletindo sobre a violência doméstica nos lares, processo que se dá, segundo ela, devido ao fato de muitas famílias verem na violência a única forma de resolver conflitos, sendo que isso repercute quando alguns de seus membros, principalmente as crianças, se identificam com o agressor ou com a vítima. “Quando a gente fala de violência, vemos que ela é um fenômeno humano, fruto de uma construção histórica e cultural, e, por isso, nós somos capazes de desconstruí-la, junto com esse legado histórico de dominação que nós (mulheres) recebemos de geração a geração”, declarou após a projeção de um vídeo sobre o tema.
Em seguida, foram apresentados dados do Mapa da Violência de 2015, demonstrando que casos de violência doméstica acontecem em todos os ciclos de vida das mulheres e que, atualmente, no Brasil, ocorrem 13 feminicídios por dia. Madgélia citou casos emblemáticos, em que os assassinos são absolvidos pelo júri e pela sociedade por estarem supostamente defendendo sua honra.
Ela lembrou ainda que, partir do final da década de 70, surgiram movimentos feministas que se consolidaram na criação da Lei Maria da Penha em 2006. Ainda que isso tenha abaixado o percentual no ano seguinte, observa-se que, na época, o Brasil era o sétimo país do mundo em homicídio de mulheres, hoje ocupando a quinta posição. “Nós conseguimos um ano atrás a lei do feminicídio. Temos que dar um basta na violência contra a mulher e na morte de muitas, que acabam sendo invisíveis por causa desse tipo de comportamento machista”, concluiu.
Créditos: Lorenzo Leuck