Cerca de 400 pessoas, entre elas gestores e trabalhadores do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), participaram, nesta quarta-feira, 18 de maio, da 1ª Caminhada da Rede de Atenção Psicossocial de Porto Alegre. O percurso foi da Esquina Democrática até a Rua Sarmento Leite, na praça Professor Saint-Pastous, onde mais tarde ocorreu oficinas de música, meditação, ginástica e terapia, além de rodas de conversa sobre saúde mental e novos modelos de cuidado. Uma feira comunitária também fez parte da programação, comercializando produtos feitos em atividades terapêuticas e de geração de renda.
O evento marcou o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e do Enfrentamento à Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e foi promovido pela Secretaria Municipal da Saúde em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com o objetivo de tratar temas delicados da saúde de uma forma lúdica, que cative a sociedade.
A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, que foi coordenadora de Saúde Mental do Estado de 1987 a 1991, compareceu ao evento e lembrou os avanços da Reforma Psiquiátrica nos últimos anos, como a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), do Fórum de Saúde Mental e das leis Estadual e Nacional de Reforma psiquiátrica, que hoje são ferramentas importantes aos trabalhadores implicados ética, política e tecnicamente com o cuidado com a saúde mental dos pacientes.
Durante a caminhada, manifestantes expressaram por meio de placas e cantos a necessidade da Reforma Psiquiátrica. “A luta antimanicomial é uma maneira de dar direitos às pessoas, de dar voz e também ouvidos qualificados a quem precisa”, afirma Fernanda Francisca da Silva, que participa da Comissão do Conselho Regional de Psicologia. Para ela, é imprescindível que os pacientes sejam entendidos dentro de suas singularidades e tratados com amor e participação familiar e comunitária. Já a assistente social Vanessa Herman, residente da Escola de Saúde Pública, acredita que todo cidadão tem direito de ser livre e ter acesso a uma saúde pública com dignidade e humanidade, sem ficar preso contra sua vontade.
Segundo a assessora da diretoria do GHC Károl Cabral, a instituição reafirma o compromisso do SUS com a saúde mental, no sentido de colocar a serviço do município, especialmente a Zona Norte, serviços específicos nessa área. Há CAPS voltados à população infantil (CAPSi), a dependentes de álcool e drogas (CAPS AD III), que atende 24 horas, possibilitando um cuidado maior com usuários em estado de crise ou pré-crise, além do CAPS II Adulto. Também há um Consultório de Rua que atende pessoas em estado de vulnerabilidade social e 12 postos de saúde, contando com 39 equipes de estratégia de saúde da família, que atendem de forma contínua e integral populações locais.
Créditos: Lorenzo Leuck