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02.06.2016 ACESSO À SAÚDE

Unidade de Saúde Conceição recebe ACNUR e Associação Antônio Viera para debater o atendimento a imigrantes

Visita faz parte de ações que têm como objetivo a criação de documento internacional sobre o tema
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Representantes da ACNUR e da ASAV ouvem explanação sobre trabalho da unidade de saúde com imigrantes.
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Visita busca fortalecer redes de assistência a imigrantes da região.

Fortalecer as redes de assistência a imigrantes da região foi o mote da visita organizada pela Prefeitura de Porto Alegre de representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da Associação Antônio Vieira (ASAV) à Unidade de Saúde Conceição nessa quarta-feira, 1º de junho. A visita integra outras atividades das quais decorrerá a elaboração de um documento, por parte da ACNUR, que servirá de modelo a outras cidades do continente no desenvolvimento de políticas públicas sobre o tema.

Uma comitiva de representantes das cidades de Curitiba (PR), Quilicura (Chile) e Desamparados (Costa Rica), consideradas referências no tema pela ONU, também esteve presente para conhecer a metodologia do Sistema Único de Saúde (SUS), assim como sua aplicação no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), que atende cerca de 120 mil pessoas nas 12 unidades de saúde do Serviço de Saúde Comunitária, localizadas na Zona Norte da Capital.

“A rede de atenção primária, como porta de entrada do SUS, propõe e implementa o acesso universal à saúde, sem restrição de atendimento a imigrantes que moram na região”, apontou o dentista da Unidade Conceição Vinicius Groff, durante a reunião com as entidades.

Para a gerente interina da Saúde Comunitária do GHC, Simone Bertoni, a comunicação continua sendo uma grande barreira na assistência aos imigrantes, dada a pluralidade de nacionalidades. Fora o fato de que muitos não levam uma vida saudável devido às dificuldades que tem de enfrentar. Ela conta, por exemplo, que muitos haitianos que vêm consultar - ainda que a maioria domine o português - têm que lidar com carga horária de trabalho exaustiva. “Mesmo aqueles que vêm com certo nível de educação acabam no sub-emprego. É comum ver dez morando em um kitnet, tendo que se revezar entre quem dorme e quem trabalha”, comentou Simone.

Imigrantes recém chegados que ainda não sabem falar português, como senegaleses e afegãos costumam consultar com a médica de família e comunidade Cristina Lemos, que é fluente em inglês e francês. Cristina lembra de dois casos em que imigrantes do Sri Lanka, país onde há centenas de dialetos, vinham à unidade: o de uma senhora idosa, que tinha filhos nos Estados Unidos e estava sempre acompanhada com uma amiga indiana que atuava como intérprete; e o de uma menina de seis anos que havia sido alfabetizada no Colégio Dom Diogo de Souza e sofria de convulsões.

A agente comunitária de saúde Loraci da Rosa Paz problematizou a questão do acesso aos serviços do posto expondo a situação de subemprego de alguns imigrantes, que, muito embora não morem nas redondezas, trabalham o dia inteiro como ambulantes na Av. Assis Brasil, sem almoço ou agasalho durante o inverno. Segundo ela, uma requisição para garantir atendimento a essas pessoas já foi levada ao Conselho Local de Saúde.

Créditos: Lorenzo Leuck