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10.08.2016 INOVAÇÃO

HCC aplica nova técnica cirúrgica para o tratamento de hipertensão porta

A doença, considerada rara, tinha tratamento paliativo, a nova técnica é curativa, permitindo que o paciente viva sem restrições
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Pedro com a mãe e parte da equipe responsável pelo procedimento.

O Hospital da Criança Conceição (HCC) realizou recentemente a cirurgia de MesoRex Bypass, para o tratamento curativo de Trombose da Veia Porta Extra-Hepática. Essa doença provoca hipertensão portal, ocasionando sangramento digestivo por varizes esofágicas e doença hepática.

Essa foi a primeira vez que uma cirurgia desse tipo foi realizada no Grupo Hospitalar Conceição (GHC). “Fiz o treinamento nesse tipo de cirurgia durante a residência de transplante hepático infantil na USP e participei de cursos ministrados pelos criadores desse procedimento. Então, a equipe de Gastropediatria do HCC entrou em contato para avaliar a possibilidade de realizar o MesoRex Bypass no paciente”, contou a cirurgiã pediátrica que realizou o procedimento, Ariane Nádia Backes.

O paciente Pedro Anastácio Rodrigues, 9 anos, internou no HCC por aumento do baço e níveis baixos de plaquetas. Durante a investigação, foi realizado o diagnóstico de trombose de veia porta. Após a avaliação, foi constatada a possibilidade de realização de cirurgia, que é considerada complexa.

O procedimento cirúrgico que devolveu para Pedro a possibilidade de praticar esportes, ter uma melhor qualidade de vida e evitar transtornos futuros, teve duração de quatro horas e retirou uma veia do pescoço para a criação de uma ponte entre o ramo esquerdo da veia porta, localizado dentro do fígado, e a veia mesentérica, responsável por levar nutrientes do intestino até o fígado. “Com esse procedimento, o sangue venoso volta a fluir dentro do fígado, diminuindo a pressão portal, levando à diminuição do baço, normalização das plaquetas e cura das varizes esofágicas. Além de impedir o desenvolvimento de doença hepática relacionada à hipertensão porta”, explica a cirurgiã.

Segundo Ariane, o tratamento para doença era apenas paliativo e hoje a cirurgia é curativa. “Sem essa cirurgia, o Pedro iria realizar exames de endoscopia seriados, a cada 6 meses, para ligadura das varizes esofágicas - para evitar sangramentos - e teria suas atividades restritas para evitar qualquer trauma na região do baço”, afirmou. A cirurgiã ainda ressalta que o novo procedimento fornece melhora do desenvolvimento neurocognitivo e qualifica o crescimento desses pacientes.

Dez dias depois da cirurgia, Pedro ainda está internado no HCC, apresentando boa evolução, com plano de alta breve. “O sucesso dessa cirurgia, que devido à complexidade é realizada em grandes centros especializados, deveu-se à capacitação da equipe cirúrgica, à excelência das equipes de radiologia intervencionista, de gastropediatria, de UTI pediátrica, de hematologia pediátrica e de enfermagem e ao apoio da direção na realização de cirurgias de alta complexidade”, ressalta Ariane.

Créditos: Graziella Silva.