Buscando aprimorar o atendimento aos usuários que estão em tratamento e recuperação da dependência química, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS-AD III) da Gerência de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (GSC/GHC) desenvolveu o projeto “Fases do Tratamento”.
O projeto surgiu em 2015, mas entrou em funcionamento neste mês, depois de debates e troca de ideias entre diversos profissionais do CAPS-AD. “Após estruturação das ideias iniciais em encontros, grupos e rodas de conversa, o trabalho foi compartilhado com pacientes e familiares que contribuíram com sugestões, críticas e adaptações”, explicou um dos responsáveis pelo projeto, o psiquiatra Bruno Paz Mosqueiro.
O “Fases do Tratamento” tem como objetivo principal estruturar o tratamento dos pacientes em atendimento no CAPS-AD, visando estimular o usuário no processo de reabilitação de forma que ele se sinta motivado a alcançar a etapa final do tratamento.
Mosqueiro está confiante que os resultados serão positivos. “Representa estratégia inovadora, para melhorar o alcance, qualidade e efetividade dos atendimentos no CAPS-AD, com benefícios para equipe e usuários atendidos no serviço. A estratégia em fases encontra-se integrada e é aplicada também sob a perspectiva da política de redução de danos, preconizada pelo Ministério da Saúde para abordagem da dependência química”, disse o psiquiatra.
Segundo o especialista, há evidências científicas que identificam melhoramentos de tratamentos estruturados em estratégias e metas organizadas. “Abordagens semelhantes em outros serviços, como em São Paulo na Cracolândia, serviram de inspiração”, contou Mosqueiro.
As fases do tratamento
A primeira fase é voltada para usuários que estão iniciando o tratamento. Nesta etapa, os grupos são estruturados e os pacientes, encaminhados para oficinas e fluxos de atendimento no CAPS.
Na fase dois, os participantes já estão vinculados ao tratamento, participam, então, de grupos motivacionais e de oficinas ocupacionais e de prevenção de recaída. Além da inserção de medicamentos, também são exploradas, neste momento, a espiritualidade e as habilidades sociais do usuário.
Já no terceiro passo, chamado de “Manutenção do Tratamento e Ampliação de Horizontes”, os integrantes permanecem frequentando grupos como de espiritualidade e de reinserção social. Estes buscam fortalecê-los para os próximos passos. Neste período, os usuários também têm sua autonomia estimulada.
A última parte do tratamento do dependente químico propõe aos pacientes que contribuam com o CAPS, por meio de trabalho voluntário, incentivando novos usuários. Depois de atender todos os objetivos do tratamento, o participante é reencaminhado para a Atenção Primária à Saúde para seguir acompanhamento.
Créditos: Graziella Silva.