O 1º Seminário Internacional em Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT), realizado entre 3 e 4 de agosto, na Universidade de Brasília (UNB), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), reuniu profissionais de diversas nacionalidades a fim de avaliar políticas e ações para a prevenção, o cuidado e a vigilância dessas doenças no Brasil.
Para a médica de família e comunidade e pesquisadora do Centro de Estudo e Pesquisa em Atenção Primária, da Gerência de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (GSC/GHC), Claunara Schilling Mendonça, que participou do evento, o encontro foi uma oportunidade de monitorar e avaliar o que tem sido feito no mundo em relação ao controle de DCNT e seus fatores de risco. Segundo ela, o Brasil se destaca nas metas nacionais e globais para o seu enfrentamento. Isso se dá devido ao fato de que aqui a atenção primária está sendo ampliada, assim como a identificação de quem está historicamente fora do serviço, ou seja, a população que sofre de diabete e hipertensão, mas ainda não foi diagnosticada.
No painel “Indicadores nacionais para DCNT: realidade e necessidades”, Claunara apresentou os resultados alcançados pela gerência em relação ao aumento da cobertura de casos de hipertensão e diabetes e a sua consequente redução de internações hospitalares por doenças cardiovasculares.
Em cinco anos, ampliou-se o acompanhamento em 5.860 hipertensos e 1.512 diabéticos, acompanhando hoje um total de 12.925 hipertensos e 3.828 diabéticos, especificados por risco e capacidade para o autocuidado. No caso de diabetes melito, 70% dos pacientes têm hemoglobina glicada menor que 8%, resultados comparáveis aos precursores do modelo de atenção às doenças crônicas. Superando também o resultado do Distrito Federal, que, com insulinas caras, não distribuídas pelo SUS, alcançou um controle 45%, conforme explica a médica.
De acordo com Claunara, a experiência da GSC/GHC chamou a atenção do assessor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) e será incluída como experiência existosa nos relatórios institucionais. Para ela, o alto índice de identificação e o cuidado com os pacientes deve-se ao esforço das equipes, que trabalham de forma multiprofissional. Como também a uma característica específica da Saúde Comunitária, que possibilita que os pacientes sejam atendidos sempre pelos mesmos profissionais, criando relações de confiança e aumentando assim a chance de controlar as doenças.
Créditos: Lorenzo Leuck