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01.09.2016 LUDOTERAPIA

Área de Recreação do Hospital Criança Conceição une saúde, arte e educação

Processo terapêutico utilizado pela equipe é acompanhado por diagnóstico multiprofissional e ampara o desenvolvimento infantil na internação
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Coordenador da Recreação Terapêutica, Sérgio Dório, em atividade com as crianças.
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Estagiária da Ong Saúde Criança Porto Alegre Bárbara Nycole Godoy colabora com o espaço.

“Estar internado é muito difícil para as crianças, pois há um estigma em relação aos hospitais. Desde pequenos, crescemos com ideias como “se você não obedecer vou te levar ao médico”, ou “você vai tomar injeção se não se comportar”, afirma o coordenador da Recreação Terapêutica do Hospital Criança Conceição (HCC), Sérgio Dório, sobre a ansiedade sofrida no ambiente hospitalar.

Dório defende que um espaço para se divertir e ficar com os amigos faz com que a criança enfrente com mais facilidade a internação, já que ela percebe aspectos comuns à vida na escola e em casa. A hora de descer para brincar e o sentimento de parceria com quem está passando por situações semelhantes fazem com que elas fiquem mais calmas e orientadas durante o tratamento.

Muito antes de ser aprovada, em 2005, a lei federal 11.104, que determina a obrigatoriedade desses espaços em ambientes de internação pediátrica, a área de recreação do HCC promovia o atendimento pedagógico humanizado e a arteterapia. “Quem estava gerindo e trabalhando no HCC nessa época estava à frente do seu tempo”, comenta ele sobre essa prática, realizada desde 1992.

Devido a formação em Psicopedagogia com especialização em Saúde Mental, Dório tornou a recreação um instrumento que auxilia o processo de diagnóstico multiprofissional, recebendo consultoria das equipes para nortear em que ponto do desenvolvimento infantil a criança se situa e avaliando como estão os aspectos emocionais.

O trabalho da recreação já foi reconhecido por outras instituições. O curso de Enfermagem da Unisinos possibilita aos alunos fazerem estágios no espaço. Inclusive isso virou trabalho de conclusão de curso. Alessandra Linck produziu uma pesquisa sobre a recreação, entrevistando pais, cuidadores e técnicos da equipe para avaliar o quanto esse instrumento ajuda na recuperação das crianças. O resultado mostrou que a recreação é um instrumento efetivo, que realmente funciona. Em dois aspectos: minimizar o estresse da internação e empoderar a criança, para que ela se torne um elemento coadjuvante do processo de tratamento. O mesmo ocorreu na UFRGS, onde Jéssica Karine Bischoff concluiu o curso de Licenciatura em Pedagogia com a pesquisa “Quando brincar é o melhor remédio: percepções acerca do brincar de crianças hospitalizadas de zero a três anos de idade”.

PARCERIAS

Dório destaca que as parcerias feitas nos últimos anos foram muito significativas no trabalho realizado. A Ong Saúde Criança Porto Alegre, por exemplo, qualifica o atendimento encaminhando profissionais da área da saúde e da educação que querem ajudar de forma voluntária. Atualmente cerca de 30 profissionais da Pedagogia, Psicopedagogia, Psicologia, Enfermagem e Odontologia colaboram semanalmente com o espaço.

Já a parceria com doutores-palhaços, tanto pela operação Palha-Assada, cadeira eletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre que leva alunos a estagiarem na recreação, como pela Ong Viver de Rir, que trabalha o riso como instrumento terapêutico, realizam diariamente atendimentos, especialmente com crianças que não conseguem ir até a recreação.

“A criança é um ser em desenvolvimento, mas, no momento em que a encontramos aqui, ela está adoecida. Arte, saúde e educação se encontram neste espaço, uma mistura que promove a ampliação dos aspectos saudáveis de cada criança”, afirma Sérgio Dório.

A área de recreação do Hospital Criança Conceição funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 17h, e recebe cerca de 30 crianças por dia, tanto por atendimento individual como em grupo.

Créditos: Lorenzo Leuck