Colaborar na construção de uma rede de atenção que beneficie e integre os usuários e os serviços de saúde mental, esse foi um dos objetivos da ação realizada pelos pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II da Gerência de Saúde Comunitária (GSC) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Os componentes do Grupo de Marcenaria, comandado pela arteterapeuta do GHC Deisi Macedo, construíram uma casinha para brincadeiras, que, na manhã desta sexta-feira, 7 de outubro, foi entregue às crianças e adolescentes que utilizam o Centro de Atenção Psicossocial à Infância e Adolescência (CAPSi) – Pandorga.
Em uma cerimônia alegre e descontraída, pais, responsáveis e usuários dos CAPS II e CAPSi se uniram aos profissionais dos centros para um ato simbólico, onde o usuário do CAPS II Cristian André de Souza dos Reis passou a tesoura para o usuário do CAPSi, Luís Gustavo Fernando Russo, que cortou um dos laços inaugurais que envolvia a casinha. Dando seguimento a atividade, Reis cortou o outro laço, completando o ato da entrega.
A manhã foi preenchida por uma atividade recreativa, onde todos os pequenos usuários do CAPSi tiveram a oportunidade de pintar a superfície externa do espaço, que vai ser utilizado em suas brincadeiras, sentindo-se, assim, atuantes na construção do novo ambiente de convivência.
Segundo a residente de saúde mental do CAPSi Roberta Machado, a casa foi entregue nesta data para que as crianças possam utilizá-la nas atividades de Aniversário do CAPSi e na Festa de Hallowen, que serão realizadas nos dias 14 e 28 de outubro respectivamente.
A ideia de construir uma casa que abrigasse a realização de atividades lúdicas surgiu em uma reunião do CAPSi. “Como eu iria trabalhar no CAPS II, me responsabilizei por repassar a proposta para Deise Macedo”, explicou Roberta. Segundo a arteterapeuta, a proposta foi repassada aos usuários que a receberam como um desafio a ser cumprido.
Novo ofício
A casinha foi construída durante as oficinas de marcenaria, que ocorre semanalmente, nas quartas-feiras e é composta por cerca de oito usuários. A construção contou também com a participação de dois voluntários que, além de ensinar os participantes a manusear os equipamentos, ficaram encarregados de manejar ferramentas elétricas que ofereciam perigo aos participantes. A obra ocorreu no pátio do CAPSi e teve duração de um ano. Para Cristian André de Souza dos Reis, 32 anos, que é usuário do Centro há dois anos e participou de todo o processo de criação da casinha, a ação possibilitou que ele aprendesse a trabalhar em grupo, respeitando o tempo de cada colega.
Além do convívio direto com os outros participantes, a atividade proporcionou a Reis, o aprendizado de um novo ofício: “Quando cheguei, não sabia quase nada sobre construção, não sabia trabalhar com um martelo e muito menos com serrote. Hoje eu sei”, evidenciou.
A arteterapeuta Deise Macedo destacou a importância de atividades como essa para a integração das unidades: “Nós precisamos circular pelos serviços, porque muitos usuários adolescentes que completam a idade máxima para estar no CAPSi passam a ser atendidos por nós, então é importante termos conhecimento sobre quem são essas crianças e esses adolescentes”, salientou.
A coordenadora do CAPSi, Lisandra Alves Nascimento, entende que a atitude tem a intenção fortalecer a relação entre os CAPS. “A política pública de saúde mental ainda é muito recente e, para crianças e adolescentes, isso tudo é ainda mais novo, por isso, a importância de ações como essa que permite a crianças e adolescentes se desenvolverem da melhor maneira possível”, destacou.
Créditos: Graziella Silva