Com o objetivo de atender à necessidade de ampliação de Laboratório Clínico do Hospital Conceição para realizar o diagnóstico da tuberculose, uma Parceria Público-Privada entre o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o Instituto de Pesquisa em Aids do Rio Grande do Sul vai viabilizar, em 2017, a criação do Laboratório de Tuberculose. Conforme explica o presidente do instituto, Breno Riegel Santos, médico infectologista e chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Conceição, manipular a cultura de tuberculose é perigoso, devido ao alto grau de infecção do bacilo causador da doença. Por isso, é necessário que o laboratório seja de nível 3 de proteção - NB 3, ou seja, com máxima segurança, possuindo pressão negativa - o ar de dentro do laboratório não poder sair do local - e capelas de fluxo.
A criação desse ambiente com pressão negativa gera a necessidade de reforma do Laboratório Clínico, assim será adaptada a área onde hoje funciona o Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) para a construção do Laboratório de Tuberculose. A obra será custeada com verba internacional, uma doação feita por meio do Instituto de Pesquisa em Aids do RS.
De acordo com Santos, a iniciativa é de grande importância tendo em vista que Porto Alegre é a capital brasileira com o maior coeficiente de incidência da doença, com 99 casos para cada 100 mil habitantes. O valor médio nacional é de 33 casos para cada 100 mil habitantes. O Brasil faz parte do grupo dos 22 países de alta carga priorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo, ocupando a 16ª posição em número absoluto de casos. Com o diagnóstico e o tratamento adequados, é possível curar a doença.
Para o médico pneumologista do Hospital Conceição Roberto Targa Ferreira, com um laboratório desse nível, o GHC tem a possibilidade de ser referência terciária para tuberculose no Estado. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem apenas o Hospital Sanatório Partenon. Ferreira lembra que, em Porto Alegre, 30% dos casos de tuberculose são coinfectados com o vírus HIV. No Brasil, são cerca de 10% dos casos coinfectados.
Créditos: Andréa Araujo.